Cuiabá, 28 (AE) - Cerca 70 índios terena de Mato Grosso, pintados para guerra e armados de arco, flecha e espingarda, bloquearam, hoje, durante quase todo o dia, a BR-364, no km 212, próximo a Rondonópolis, região sul, principal rodovia que liga o Estado ao norte do País. A interdição das três pistas, iniciada às 8 horas, provocou um congestionamento de mais de cem quilômetros. Por volta das 15 horas, os índios liberaram uma pista.
Durante o bloqueio, os terena cobraram R$ 10,00 pedágio por veículo. Mesmo revoltados, os motoristas tiveram que pagar o pedágio para não perder as cargas de produtos perecíveis e não atrasar a viagem. Agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e representantes da Fundação Nacional do Índio (Funai) negociaram durante todo o dia com os indígenas. Às 17 horas, eles liberaram outra pista, mas continuaram cobrando pedágio dos motoristas.
Os terena reivindicam o assentamento da etnia em uma região a dez quilômetros de Rondonópolis. O presidente da Funai, Márcio Lacerda, prometeu se reunir amanhã (29) com os índios em Brasília para solucionar o impasse. É a quinta vez em menos de três meses que eles bloqueam a BR-364. Reserva - Além da demarcação da reserva, os índios terena - que estão acampados às margens da BR-364 há três meses - cobram mais assistência da Funai. Eles denunciam que muitas crianças estão doentes com diarréia, gripe e pneumonia. "Se a gente não pressionar, não sai nada", diz o cacique Roberto Mendes. Segundo ele, a Funai prometeu demarcar a reserva há mais de um ano, mas até agora o acordo não foi cumprido.
O administrador da Funai em Cuiabá, Idevar José Sardinha
alega que o órgão está sem recursos para pagar a desapropriação de uma área para assentar os índios. "Esses terena eram do Mato Grosso do Sul, mas se casaram com bororó, foram expulsos de lá e agora estão aqui", disse. "Mesmo assim eles não vão ficar sem assistência".

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