Índios, baleias e cultura
PUBLICAÇÃO
domingo, 16 de maio de 1999
Por Carlos Orsi Martinho 
São Paulo, 17 (AE) - Os índios Makah, dos Estados Unidos, mataram uma baleia cinzenta hoje (17). Esta é a primeira baleia morta pela tribo desde a década de 20, quando a espécie chegou às vias de extinção. Agora, os índios conseguiram o direito de retomar a caça à baleia - uma tradição da tribo, anterior à chegada de Colombo às Américas - desde que não matem mais do que 20 animais a cada cinco anos.
Como razão para voltar a matar baleias, os índios citam sua necessidade de sobrevivência cultural. "Muitos de nós acreditam que os problemas de nossa juventude advêm de uma falta de disciplina e orgulho", diz um site oficial da tribo. "Acreditamos que restaurar a caça à baleia ajudará a restaurar o orgulho e a disciplina".
Caçar baleias, explica o site, é parte integrante da cultura da tribo. "Nossa estrutura social se baseia em famílias de caçadores de baleias. A condução de uma caçada requer rituais de profundo significado espiritual", continua o texto.
A iniciativa dos índios atrai oposição de grupos ambientalistas, e por duas razões: primeiro, por temerem que a brecha usada pelos Makah - alegando questões culturais para retomar a caça - possa ser adotada, também, por nações com forte tradição histórica de caça à baleia, como Japão e Noruega.
Embora os Makah garantam que usarão a carne da baleia para consumo próprio, nada impede que outros povos retomem a indústria baleeira, que quase levou a espécie à extinção. Segundo, pelo óbvio sofrimento (e morte) do animal caçado.
Sites americanos que se opõem à caça pelos Makah apontam, ainda, a irracionalidade da morte do animal. "Em 70 anos, este país (os EUA) evoluiu o suficiente para que caçar baleias para se obter comida não seja mais uma necessidade", pondera um opositor da caça.
Já os Markah argumentam: "Apenas esperamos que aqueles que fazem a oposição mais violenta reconheçam o próprio etnocentrismo - subordinando nossa cultura à deles".


