Um grupo de 200 índios arredios manteve cercados, durante quatro dias, 21 funcionários da Fundação Nacional do Índio (Funai) e de uma empresa de terraplanagem que demarcava terras no alto rio Jordão, no Acre. Os índios, provavelmente do grupo pano, destruíram o acampamento montado pela Funai na região. O cerco começou na quarta-feira e só terminou no sábado, quando um helicóptero do Comando Militar da Amazônia (CMA) chegou ao local para fazer o resgate. No ano passado, um ataque dos pano a um grupo de seringueiros levou à morte de uma mulher e uma criança.
‘‘Ficamos sem poder nos locomover’’, contou o sertanista José Carlos dos Reis Meirelles Junior, chefe da frente de atração que está na região há dois anos. ‘‘Não podíamos disparar, pois estávamos demarcando a área justamente para proteger os índios’’, afirmou Meirelles. Segundo ele, o resgate só aconteceu porque os índios não chegaram a destruir um rádio que estava no acampamento. ‘‘Pelo rádio conseguimos a ajuda do Exército.’
A demarcação da área estava sendo feita há mais de duas semanas, depois que o administrador da Funai no Acre, Sebastião Batista de Figueiredo, pediu a interdição da região, para evitar novos confrontos entre os índios e seringueiros. ‘‘Se isso acontecesse seria uma tragédia’’, afirmou Figueiredo. O prefeito de Jordão - a cidade mais próxima das malocas dos pano -, Espiridião Junior, chegou a decretar estado de emergência no município por causa da proximidade dos índios.
Na semana passada, os funcionários da Funai e da empresa que faz a demarcação saíram pela manhã do acampamento para abrir trilhas a 20 quilômetros de distância, quando aconteceu o ataque. ‘‘Eles queimaram nossas barracas e seguiram para o local onde estávamos’’, afirma o sertanista.
As 21 pessoas que trabalhavam na demarcação ficaram juntas. ‘‘Ninguém via os índios na mata, apenas ouvimos imitações de animais e pássaros’’, conta Meirelles. Depois de três dias de tentativa pelo rádio, o grupo conseguiu contato com a Funai em Rio Branco. ‘‘Acionamos a direção em Brasília e conseguimos um helicóptero do Exército’’, contou o administrador da Funai no Acre.
O grupo pano é um dos 21 grupos arredios na Amazônia já conhecidos pela Funai. ‘‘Não sabemos, porém, seus costumes, sua língua e origem’’, afirma o diretor do Departamento de Índios Isolados da Funai, Sidney Possuelo. ‘‘Não sabemos muito sobre eles, a não ser que essa agressividade é defesa.’ Em dois anos, pelo menos cinco brancos morreram flechados nesta região.

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