Índios da tribo apinajé mantêm como reféns desde anteontem, 18 funcionários da Construtora Egesa, que faziam levantamento topográfico na reserva indígena, para construção da BR-230, a Transamazônica. A reserva apinajé fica no município de Tocantinópolis, ao Norte do Estado, a 600 quilômetros de Palmas. Além do grupo foram apreendidos equipamentos e um veículo.
Ainda ontem, o procurador da República no Tocantins, Mário Lúcio Avelar, acompanhado de uma antropóloga e do administrador regional da Funai, João Araújo, chegaram ao local para dar início às negociações. Os índios alegam que a empreiteira desrespeitou um acordo feito em Brasília entre a Funai, Procuradoria da República e a Egesa, em que ficou acertado que as obras, decorrentes da estrada na reserva apinajé, estariam suspensas até que fosse apresentado um relatório de impacto ambiental. Pelo projeto atual, a Transamazônica vai cortar 25 quilômetros da área indígena apinajé. Como a empresa ainda não apresentou o relatório de impacto ambiental, a Procuradoria da República pediu o embargo da obra ao Ibama.
Os apinajés querem aproveitar a situação para resolver outras pendências, como a retirada de posseiros de sua reserva, que se arrasta desde 85. Os posseiros aguardam ser transferidos pelo Incra para outra área ou ser indenizados. A reserva indígena apinajé foi demarcada em 1985 e possui 142 mil ha, onde vivem 1.020 indígenas em sete aldeias.

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