Índios apinajés fazem 18 reféns no Tocantins
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quinta-feira, 05 de junho de 1997
Agência Estado Palmas 
Índios da tribo apinajé mantêm como reféns desde anteontem, 18 funcionários da Construtora Egesa, que faziam levantamento topográfico na reserva indígena, para construção da BR-230, a Transamazônica. A reserva apinajé fica no município de Tocantinópolis, ao Norte do Estado, a 600 quilômetros de Palmas. Além do grupo foram apreendidos equipamentos e um veículo.
Ainda ontem, o procurador da República no Tocantins, Mário Lúcio Avelar, acompanhado de uma antropóloga e do administrador regional da Funai, João Araújo, chegaram ao local para dar início às negociações. Os índios alegam que a empreiteira desrespeitou um acordo feito em Brasília entre a Funai, Procuradoria da República e a Egesa, em que ficou acertado que as obras, decorrentes da estrada na reserva apinajé, estariam suspensas até que fosse apresentado um relatório de impacto ambiental. Pelo projeto atual, a Transamazônica vai cortar 25 quilômetros da área indígena apinajé. Como a empresa ainda não apresentou o relatório de impacto ambiental, a Procuradoria da República pediu o embargo da obra ao Ibama.
Os apinajés querem aproveitar a situação para resolver outras pendências, como a retirada de posseiros de sua reserva, que se arrasta desde 85. Os posseiros aguardam ser transferidos pelo Incra para outra área ou ser indenizados. A reserva indígena apinajé foi demarcada em 1985 e possui 142 mil ha, onde vivem 1.020 indígenas em sete aldeias.


