Curitiba- As lideranças indígenas paranaenses estão irredutíveis. Querem a revogação do decreto presidencial nº 7056 que determinou a reestruturação da Fundação Nacional do Índio (Funai) ou, ao menos, a garantia de que as três unidades administrativas do órgão no Estado serão mantidas. Nem mesmo a presença do ouvidor da fundação, Paulo Celso de Oliveira, representando o presidente da Funai, disposto a explicar a nova organização administrativa dos trabalhos acalmou os indígenas, que prometem ''ir até a última instância para mostrar o descontentamento com o decreto''.
Oliveira participou de uma reunião em Curitiba, na tarde de ontem, que contou com a presença de representantes do Ministério Publico Estadual (MP-PR), Ministério Público Federal, Assessoria Indígena da Secretaria de Estado de Assuntos Estratégicos, servidores da Funai no Paraná, além de caciques de várias etnias do Estado. Ele argumentou que a nova estrutura apresentada no decreto favorece a gestão participativa das aldeias e assegurou que os recursos financeiros que eram passado para as lideranças paranaenses será mantido.
Sobre a extinção das três regionais administrativas - Curitiba, Londrina e Guarapuava - ele disse que era uma cobrança dos órgãos fiscalizadores para que a Funai tivesse uma estrutura melhor para prestar contas e que a opção por Santa Catarina, como nova sede administrativa, vem de uma política de fortalecimento regional.
Um a um, os líderes de comunidades levantaram seus questionamentos e receios com relação às mudanças. Eles reclamam que não foram ouvidos e que ficaram sem orientação com relação aos procedimentos que devem adotar para questões cotidianas da aldeia, como o pedido de uma certidão de nascimento para a criança que nasceu há cinco dias, um pedido de aposentadoria ou de um auxílio para transportes. Segundo Oliveira, ''a Funai continua funcionando em todo o país. Garantimos que o serviço vai melhorar''.
Sem um consenso, o ouvidor se comprometeu a agendar uma reunião para amanhã na presidência da Funai, em Brasília. Ele disse que acredita que tudo irá se resolver com o diálogo. ''Queremos esclarecer todas as questões''. Os indígenas aceitaram voltar a Capital Federal, mas pedem que não sejam ''recepcionados'' pela força nacional de segurança.
No entanto, os indígenas avisam: ''Vamos lá para trazer as três 'Funai' (sic) de volta. A mensagem está clara, estamos cansados de enrolação. E vamos continuar as manifestações até resolver o problema'', diz Neoli Olíbio, da etnia Kaingang. E ameaçam que podem até ''passar por cima de um'', indicando que os protestos podem ficar mais radicais. ''Não estamos brincando e não vamos desistir''.
Responsável por convocar a reunião, o promotor de Justiça Luiz Eduardo Canto de Azevedo Bueno, coordenador do Centro de Apoio Operacional de Proteção às Comunidades Indígenas do MP-PR, afirma ter convicção de que o decreto ''não é salutar para o indígena do Paraná''. Ele disse que pretende acompanhar a reunião de amanhã, se for solicitada sua presença pelas lideranças.

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