Índios ameaçam ampliar mobilização por terras
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sexta-feira, 17 de julho de 2009
Fernanda Borges<br> Reportagem Local 
Tamarana- Um grupo de caingangues que pertencem à Reserva Apucaraninha em Tamarana (62 km ao sul de Londrina) retornou ontem de Brasília (DF) onde esteve reunido com o presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Márcio Augusto Freitas Meira. A viagem teve o objetivo de reinvindicar a presença de um grupo de trabalho para demarcar a terra ocupada por eles há duas semanas no Bairro da Serrinha. Cerca de 200 famílias estão acampadas nas proximidades da Igreja Católica da Serrinha e afirmam que não vão abandonar o local por se tratar de terras que pertenciam a eles desde a década de 1940.
A reportagem da FOLHA esteve no local ontem e encontrou muitas crianças, mulheres e jovens morando em barracas feitas de lonas de plástico e sem energia elétrica. Alimentos e água estão sendo levados da aldeia do Apucaraninha por índios que percorrem, de carros, cerca de quatro quilômetros de estrada de terra.
Alguns adultos mostraram foices e objetos cortantes com a intenção de intimidar a equipe de reportagem. Um dos líderes do grupo que esteve em Brasília, Lourival de Oliveira, disse que até semana que vem eles deverão receber informações por telefone se a reinvindicação será ou não atendida.
Segundo Oliveira, a ocupação é uma forma de reivindicar mais terras porque, para eles, os 5,5 mil hectares da reserva são insuficientes para garantir o sustento das 343 famílias que moram no local. Queremos terras para cultivar porque onde moramos já não tem mais espaço pra todo mundo. Antes nós éramos em poucas famílias e naquela época, na década de 1940, 1950, o governo já havia regulamentado aquela terra para nós, disse.
O líder enfatizou que o grupo deve aumentar a pressão caso as solicitações não sejam atendidas. Não vamos sair e vamos trazer mais gente, caingangues de outras regiões, do Rio Grande do Sul, Santa Catarina caso não formos atendidos, ameaçou.
Em 2006, os caingangues dessa reserva conquistaram indenização de R$ 14 milhões da Companhia de Energia do Paraná (Copel). Do montante, já receberam mais de R$ 5 milhões e o restante será pago em parcelas até 2011.


