A 39ª edição da Campanha da Fraternidade tentará despertar o debate sobre as dificuldades dos índios brasileiros. O tema ‘‘Fraternidade e Povos Indígenas - Por uma terra sem males’’ foi apresentado ontem pelos representantes da Arquidiocese de Londrina. As atividades relativas à Campanha 2002 começam hoje, com a visita dos arcebispo Dom Albano Cavallin à reserva do Apucaraninha, sediada em Tamarana.
Para Dom Albano, é importante conhecer o pensamento dos primeiros habitantes do Brasil, tentando inserir na sociedade moderna os três princípios básicos do índio: solidariedade, justiça e partilha. ‘‘Eles não sabem o que é o ‘ter’. Isso foi criado por nós em uma vida repleta de consumismo. Somos selvagens julgando selvagens’’, criticou o arcebispo, lembrando que o tema ‘‘por uma terra sem males’’ é a referência das tribos para o paraíso divino.
A educadora indígena e integrante da coordenação da Campanha, Vilma Projete, também participou do encontro, realizado ontem no Centro Arquidiocesano de Pastorais, e citou o vestibular para índios para 15 vagas em todo o Paraná (o primeiro do Brasil foi realizado esta semana em Guarapuava) como exemplo de novas conquistas. ‘‘Durante 500 anos, falamos para ele o que deveriam fazer. Agora é preciso perguntar o que eles querem fazer’’, resumiu Vilma, lembrando que a demarcação das reservas será uma das principais bandeiras da campanha.
Segundo informações da Pastoral do Índio, foi estipulado um prazo para que o governo brasileiro demarcasse as terras entre 1988 e 1993. Até hoje, 65% das reservas não foram criadas, enquanto 85% delas estão ocupadas irregularmente por ‘‘brancos’’. O Paraná mantém 17 reservas com cerca de 9 mil índios.
O lançamento oficial da Campanha será dia 15, às 19 horas, na Catedral de Londrina.

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