O índio identificado como Dirceu ''Croi Croi'', de idade não informada, foi morto por volta das 23h30 de sexta-feira, após ter se desentendido com dois outros índios na entrada do Centro Cultural Caingangue, no Jardim Arpoador (zona sul de Londrina). Ele foi golpeado no rosto e na cabeça por uma pedra de mais de cinco quilos.
De acordo com informações do delegado de plantão, Eduardo Cabral Júnior, o crime foi informado para a Polícia apenas às 2 horas de sábado. Ele contou que encontrou o índio caído de costas na rua Pedro Antônio da Silva, entrada do Centro Cultural. Ao lado do corpo estava a pedra usada como arma e uma garrafa de aguardente. Assim que chegou ao local, ele comunicou o fato à Polícia Federal, que apura os crimes cometidos por e contra populações indígenas. O Instituto de Criminalística também periciou o local.
A assessoria de imprensa da Polícia Federal informou que o delegado responsável pelo caso, Gerson Machado, passou toda a madrugada tomando depoimentos e pela manhã já havia chegado aos autores do homicídio. José Ekor Bonifácio, 44 anos, e Olívio Guilherme, de 47 anos, ambos pertencentes à reserva caingangue do Apucaraninha, em Tamarana (62 km ao sul de Londrina). Eles confessaram o crime e foram autuados em flagrante. O inquérito, segundo a assessoria, será remetido à Justiça Estadual porque o crime aconteceu na rua, fora dos limites do Centro Cultural. Se condenados, os índios estarão sujeitos a pena de reclusão que varia de seis a 20 anos, que pode ser aumentada.
Bonifácio e Guilherme teriam declarado ao delegado que estavam bebendo juntos e acabaram se desentendendo. Os dois teriam golpeado Dirceu, que teve morte instantânea. Segundo a assessoria, o crime teria sido motivado por vingança, pois havia informação de que a vítima tinha matado um parente de Bonifácio.
O cacique da Reserva Caingangue do Apucaraninha, Moisés Lourenço, apontou que Dirceu não era conhecido do Centro Cultural. Segundo o cacique, o índio pertencia à reserva caingangue de Rio das Cobras, em Guarapuava. Lourenço não confirmou a versão da PF.
O administrador da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Londrina, José Gonçalves, disse que tomou conhecimento do crime apenas ontem pela manhã e que a versão de vingança ainda estava sendo apurada. Ele detalhou que um advogado da Funai seria destacado para acompanhar o caso. ''A tentativa é sair da Justiça Comum já que se trata de um crime de índio contra índio'', comentou. Gonçalves relembrou que o último crime de morte cometido entre índios em Londrina aconteceu em 1997, na avenida 10 de Dezembro, também próximo ao Centro Cultural.
Até o final da manhã, o corpo de Dirceu continuava no Instituto Médico Legal (IML) e nenhum parente tinha feito o reconhecimento. A morte do índio elevou para 140 o número de homicídios cometidos este ano em Londrina.

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