Tamarana - Um adolescente indígena de 17 anos levou um tiro no pé durante a madrugada de ontem na sede da Reserva do Apucaraninha, em Tamarana (Região Metropolitana de Londrina). O motivo do crime seria um disputa interna entre dois grupos pelo cargo de cacique da aldeia. O jovem foi atendido pelo Siate e encaminhado ao Hospital Universitário (HU), sem risco de morte.
Perto de 1,5 mil índios vivem na Reserva Apucaraninha, Há três anos um grupo dissidente formou a aldeia Água Branca, a aproximadamente oito quilômetros da sede. Segundo o escritório regional da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Londrina, 400 índios vivem na nova aldeia. Com a criação da nova aldeia, começou uma disputa entre as aldeias pelo posto da liderança da reserva. O clima sempre foi tenso, mas pela primeira vez houve confronto físico.
"A hierarquia indígena permite a formação de várias aldeias dentro de uma mesma reserva, mas apenas um cacique", explicou a coordenadora substituta da Funai em Londrina, Darlene Bittencourt. O cacique da reserva do Apucaraninha é João Cândido. Os índios da Água Branca instituíram Moisés Lourenço como o representante maior da aldeia.
"Existe uma briga política e pelo poder dentro da reserva. Apesar disso a confusão nos pegou de surpresa. O clima é muito tenso e de apreensão entre as famílias", relatou Darlene. "A situação aqui está bem esquisita, mas não queremos brigar com ninguém, basta os índios da Água Branca aceitarem o cacique João Cândido como nosso chefe", ressaltou um morador da aldeia sede.
O adolescente baleado seria um dos seguranças da sede da reserva. Segundo a Funai, os moradores da Água Branca foram ao local e, após um desentendimento, houve o disparo.
Policiais militares foram ao local, mas não conseguiram identificar o autor do tiro nem localizar a arma do crime. Segundo a PM, a vítima não quis passar detalhes da briga nem informar quem seria o responsável pelo disparo.
Nenhum representante da Funai será deslocado para a reserva para apurar o caso. "Em um clima como está lá é difícil até para nós intervirmos. Vamos tentar apaziguar os ânimos através da conversa", frisou Darlene Bittencourt.

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