São Paulo, 14 (AE) - Não há morador de Itaquera que não conheça a pastelaria do Índio, fincada irregularmente há 13 anos em um amplo terreno entre as Avenidas Osvaldo Valle Cordeiro e Gameleira Branca. O motivo de tanta fama não são os pastéis ou o caldo-de-cana, mas o próprio dono, José Alves Ribeiro, de 41 anos. Mais conhecido como Índio Comanche, o comerciante teve seus anos de glória representando o personagem de mesmo nome nas disputas de luta livre exibidas pelas tevês entre as décadas de 60 e 80.
Em seu novo ringue em Itaquera, ele continua vice-campeão - último título conquistado por ele nas batalhas televisivas. "Em meu comércio ninguém mexe", comemora, vitorioso. Desde que invadiu a área de 7 metros de largura por 120 metros de comprimento, "fiscal é raridade", como descreve a falta de empenho da Prefeitura em impedir ocupações de áreas públicas.
"Sempre que vieram me perguntar sobre minha situação expliquei que meu negócio é outro", diz. "Cultura, lazer e recreação", explica. Índio garante que pretende construir uma escolinha, quadras esportivas e palcos no local que ajudou a "salvar". "Isso aqui estava tudo abandonado, um entulho só; ocupei, mas estou fazendo o que é para eles (os políticos) fazerem." Até hoje, 13 anos depois, os projetos não saíram do papel.
O lutador lembra-se somente de ter sido questionado pelo antigo regional de Itaquera, Adilson da Silva, afastado do cargo em março. O regional havia sido indicado pelo vereador Dito Salim (PPB), que comandava politicamente a região. "Mas falei para ele que minha intenção era ajudar a população", explica. "E ele entendeu." O atual administrador de Itaquera, Edson Castilho, disse desconhecer essa invasão. "É muito difícil barrar uma invasão", lamentou-se. "Tenho duas centenas de áreas municipais e só quatro agentes vistoriadores."

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