Foram velados ontem pela manhã os corpos dos três menores londrinenses mortos na rebelião ocorrida na última quinta-feira no Educandário São Francisco, em Piraquara, região metropolitana de Curitiba. Os corpos de Jefferson Lima Cerqueira, 17 anos, Oséias Carlos, de 15, e Tiago Rodrigues dos Santos, 17, chegaram de Curitiba por volta das 2h30 da madrugada de ontem e foram retirados no Instituto Médico Legal (IML) pelas famílias logo em seguida.
No Parque das Indústrias (Zona Sul), familiares de amigos de Oséias Carlos velavam o corpo do adolescente; o sentimento era uma mescla da indignação do momento em que a notícia foi recebida com o conformismo e o cansaço. ''Nos avisaram do que aconteceu às 8 horas de sexta. Ficamos desesperadas, mas sabíamos que não poderíamos fazer mais nada'', disse a avó de Oséias, a dona de casa Vera Lúcia Pereira, que criou o menor depois que a mãe o abandonou ao nascer.
Segundo ela, o adolescente cumpria pena há seis meses por tráfico de drogas e contava à família que não queria sair do Centro Integrado de Apoio ao Adolescente Infrator (Ciaadi) de Londrina. ''Ela sabia que no Educandário as coisas eram piores. Assim que ele chegou, disseram para ele se enquadrar em uma das gangues, senão iria morrer. Foi o que aconteceu'', disse Vera.
A dona de casa Ivone de Lima Cerqueira, mãe de Jefferson, velou o corpo do filho na Vila Santa Madalena (Zona Oeste) e reforçou as suposições de Vera sobre as gangues do Educandário. ''Meu filho me dizia que estava tudo 'mais ou menos', porque estava tentando ficar de fora das brigas, mas os outros praticamente o obrigavam'', relembrou. Ela afirmou desconhecer os motivos que levaram Jefferson a ser apreendido, mas admitiu que o filho era usuário de drogas. ''Ela estava em Curitiba há menos de três meses e nem pudemos visitá-lo'', contou. Os menores seriam enterrados ainda na tarde de ontem, às 15h30, no Cemitério Jardim da Saudade, Zona Norte de Londrina.

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