Quito, 26 (AE-AP) - Antonio Vargas, líder da Confederação das Nações Indígenas do Equador, movimento cuja revolta resultou na queda do presidente Jamil Mahuad, afirmou hoje (26) que exigirá um "diálogo direto" com o novo governo do país. Vargas disse que os líderes indígenas estão preparados para discutir a privatização de companhias estatais, o pagamento da dívida externa equatoriana, avaliada em US$ 13 bilhões, e o abandono da moeda nacional, o sucre, em favor do dólar norte-americano.
"Queremos um diálogo direto sobre mudanças profundas", disse Vargas. Segundo eles, os indígenas suspenderão suas manifestações pelos próximos seis meses, mas voltarão às ruas caso o novo governo não consiga barrar a corrupção endêmica e a pobreza.
Irado com a incapacidade do então presidente Mahuad de combater a crise econômica, Vargas liderou manifestações indígenas que levaram centenas de pessoas a invadir o Congresso na semana passada. Sua proclamação de um "Parlamento do Povo" liderado por uma junta civil-militar levou o alto comando militar a derrubar Mahuad do poder para evitar "uma explosão social".
A presidência, então, foi entregue ao vice-presidente Gustavo Noboa. Vargas acusou hoje o alto comando militar de tomar vantagem dos povos indígenas em uma tentativa de tomar o poder.

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