Indiciado, vereador Dito Salim se diz perseguido
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terça-feira, 14 de dezembro de 1999
Por Fabiana Gitsio e Marcus Lopes 
São Paulo, 14 (AE) - O vereador Dito Salim (PPB) foi indiciado na noite de ontem, no Instituto de Criminalística (IC). Antes, prestou duas horas de depoimento à Polícia Civil e ao Ministério Público. Salim é acusado de ter cometido crime de prevaricação, por participação no esquema de corrupção na Administração Regional de Itaquera, que ele controlava politicamente.
Salim afirmou hoje que seu indiciamento é fruto de perseguição. Não disse, porém, quem o estaria perseguindo. "Se ninguém conseguiu provar nada contra mim, só posso chegar à conclusão que se trata de uma perseguição política", ressaltou. Na sessão da Câmara Municipal, o vereador já se havia definido como um "súdito da polícia".
Segundo o delegado Renato Ferreira, responsável pelo indiciamento, o inquérito policial será relatado no início de janeiro. Ferreira calcula, já levando em conta as férias forenses, que no fim de fevereiro o Ministério Público receba o documento. Depois disso o MP vai decidir se denuncia ou não o vereador. Para o promotor José Carlos Blat, ainda é cedo para prever o que ocorrerá a Salim.
O nome do vereador surgiu no inquérito policial que apurava irregularidades na AR-Itaquera. Em 1997, funcionários da indústria alimentícia Panco, que construíam uma loja no bairro, estavam sendo vítimas de extorsão praticada por fiscais da regional de Itaquera, que teriam exigido R$ 6 mil para regularizar a obra.
Denúncia - Procuraram o administrador regional na época, Adilson da Silva - indiciado em abril pela polícia -, que disse não poder fazer nada. A reclamação deles chegou aos ouvidos do deputado estadual Conte Lopes (PPB), autor das denúncias à polícia. Lopes garantiu ter telefonado para o vereador, que não tomara nenhuma providência.
Em depoimento à polícia, funcionários da Panco confirmaram a inércia de Salim. "Sem tomar nenhuma atitude, ele prevaricou; era ele quem indicava o regional", afirmou o delegado Ferreira. Hoje, o vereador negou qualquer acusação contra ele e afirmou que não esteve em contato com Lopes.


