Indiciado passa mal e é internado
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sexta-feira, 25 de setembro de 1998
Carla Conte Agência Folha 
Daniel Derkatscheff Vera, dono da farmácia de manipulação Botica Ao Veado DOuro, não compareceu hoje ao 1º DP de Santo André (Grande São Paulo) para participar de acareação entre envolvidos no caso da fabricação de Androcur falso. Numa acareação, os acusados são colocados frente a frente para confrontar as versões.
Derkatscheff foi internado ontem no hospital Albert Einstein, com problemas de hipertensão. Ele começou a se sentir mal e apresentar taquicardia e pressão alta anteontem à noite, após a interdição da matriz da Botica, no centro da cidade de São Paulo, pela Vigilância Sanitária.
Segundo o advogado de Derkatscheff, José Benedito Neves, ele ficou muito perturbado com a interdição. Ele ficou transpirando muito, com o coração batendo muito rápido após a inspeção dos fiscais da Vigilância , disse. A Vigilância não precisava fazer esse barulho todo. Segundo o advogado, o sócio da Botica deve comparecer à delegacia assim que melhorar. Queremos fazer isso o quanto antes. Lamentamos ter que adiar a acareação , disse Neves. Para nós, o quanto antes for resolvida essa questão do Androcur, melhor.
Derkatscheff e seu sócio Edgar Helbig foram indiciados durante a semana, sob a acusação de terem participado da falsificação do Androcur (remédio para câncer de próstata). Com o não-comparecimento de Derkatscheff, a polícia de Santo André só fez acareação entre o ex-sócio da Botica e genro de Derkatscheff, Ricardo Garcia, e o vendedor autônomo de remédios Élcio Ferreira da Silva. Os dois estão presos.
Os acusados mantiveram as versões dadas nos depoimentos anteriores. Mas o depoimento de um contradiz o do outro. Élcio insistiu ontem que conhece Garcia, que voltou a dizer nunca tê-lo visto.
Segundo o vendedor, a idéia de fazer um remédio similar ao Androcur partiu de Garcia. Combinamos que ele (Garcia) cuidaria da produção do medicamento e eu, da venda, disse Élcio. Ele afirmou ter sido enganado por Garcia. Não sabia que o medicamento não tinha efeito. Para mim, ele estava usando a substância do Androcur no comprimido.
Apesar de seu depoimento ser contraditório ao de Garcia, que nega qualquer envolvimento com o caso, as informações de Élcio batem com as fornecidas por funcionários da Veafarm, laboratório vinculado à Botica, onde foram feitos os placebos.
Élcio confirmou que não usava nota fiscal. Sei que cometi vários erros. Quis fazer um plágio de um remédio, colocar no mercado sem nota... Mas nunca pensei em vender remédio falso, sem efeito, afirmou. Acho que devo ser punido. Mas cada um deve assumir sua parte na história.


