Índices começam a derrubar projeções de inflação
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quarta-feira, 17 de março de 1999
Por Adriana Carvalho 
São Paulo, 18 (AE) - Para o economista chefe do Lloyds Bank, Odair Abate, o fato de o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fipe ter registrado recuo pela segunda vez consecutiva mostra que as primeiras estimativas de inflação para o mês de março começam a ser derrubadas. "Esperava-se que o IPC encerrasse março entre 1,5% e 2%", lembrou Abate. "Um número como 1,2% é mais provável", acrescentou, ao comentar a taxa de 0,96% divulgada hoje pela Fipe para a segunda prévia do mês.
Para o economista, a variação de 0,68% do item alimentação foi uma surpresa e reflete a fraca demanda na ponta do consumidor. Já no item transportes, que registrou variação de 1,61%, o economista lembra que ainda não está contabilizado o aumento dos combustíveis.
Também o economista-chefe do Chase Manhattan, Luiz Fernando Lopes, considerou o índice uma surpresa: "Tínhamos uma curva ascendente de inflação até abril, começando a recuar apenas em maio", diz. "Antes, 1,5% era o mínimo; agora é o máximo que eu espero para o IPC no mês", disse Lopes.
Segundo ele a questão agora é saber se esse recuo registrado pela Fipe refere-se apenas à Região Metropolitana de São Paulo ou ao resto do País também. "Se o IGP-10 da FGV confirmar a tendência, teremos então de rever a nossa curva de inflação para os próximos meses", comentou.
Ele afirma também que, nesse novo cenário, os juros de 45% ao ano tornam-se exorbitantes. Passa a ser mais provável a possibilidade de queda de taxas na próxima reunião do Copom, em abril, ou mesmo antes.
Os dois economistas concordam, entretanto, que a perda de fôlego da inflação está diretamente ligada à recessão, que se mostra mais forte do que se pensava.
Se os preços no atacado continuarem por muito tempo pressionados, sem repasse ao consumidor, os resultados das empresas poderiam ser afetados. "Não acredito que isso vá ocorrer, pois cedo ou tarde esses preços terão de ser repassados", comentou. Outra alternativa é os preços no atacado caírem com a diminuição da pressão no câmbio", diz Odair Abate.


