Índice Dow Jones chega aos 10 mil pontos
Nova York, 16 (AE-DOW JONES) - O Índice Dow Jones da Bolsa de Valores de Nova York superou pela primeira vez os 10 mil pontos, transformando esta terça-feira (16) em um marco na história do maior mercado acionário do mundo. No momento em que o índice atingiu os cinco dígitos (chegou a 10.001,78 pontos), operadores comemoraram, cumprimentaram-se, voltaram ao trabalho e o Dow Jones recuou do marco histórico, para fechar em 9.930 pontos, em queda de 0,28%.
A alta contínua do mercado acionário norte-americano, depois de duas crises financeiras internacionais, em 1997 e 1998, está surpreendendo a maioria dos analistas, assim como a inabalável prosperidade da economia dos Estados Unidos. O coro dos analistas que consideram o mercado sobrevalorizado cresce com a escalada do Dow Jones. "Não há ações líderes que possam manter o Dow Jones acima dos 10 mil pontos", disse hoje um analista.
O principal índice da Bolsa de Nova York (New York Stock Exchange, NYSE) subiu 29% desde outubro do ano passado (8% este ano), quando o Federal Reserve (o banco central dos Estados Unidos) reduziu os juros três vezes para recuperar a confiança dos investidores, depois que a moratória da Rússia e o resgate do fundo hedge Long-Term Capital Management fizeram o Dow Jones cair 20%.
Expansão - Mas a Bolsa de Nova York não conta mais com a expansão do inflado mercado de ações americanas em seus planos para o futuro. Enquanto perdia a disputa pelas ações de informática e alta tecnologia para o mercado eletrônico Nasdaq - o Índice Nasdaq 100 subiu 706% nesta década, mais que o Dow Jones, que avançou 331% -, a Bolsa de Nova York traçou uma estratégia alternativa para a expansão da instituição com capitalização de mercado de US$ 12 trilhões, ou o dobro dos Produtos Internos Brutos (PIB) do Japão, da Alemanha, da França e da Inglaterra somados.
Os planos do presidente da Bolsa de Nova York, Richard A. Grasso, são transformar Wall Street no mercado acionário global, negociando ações de vários países como se fossem os papéis das empresas americanas. Até o ano passado, os únicos papéis estrangeiros negociados no mercado americano eram os American Depositary Receipts (ADR).
Mas em novembro a recém-criada DaimlerCrysler, fusão da montadora alemã com a americana, emitiu a primeira ação que pôde ser negociada tanto em Nova York quanto em Frankfurt e 15 outros mercados acionários. Em seu discurso de 14 de dezembro no Clube de Economia de Nova York o chairman da bolsa expôs suas ambições: "Acredito que a globalização, de que falamos por tantos anos na comunidade financeira, chegou no dia 17 de novembro, com a listagem na Bolsa de Nova York das ações da DaimlerCrysler, as primeiras ações realmente globais a serem negociadas em Nova York e simultaneamente em 16 outros mercados ao redor do mundo. Foi para a NYSE o momento que realmente define o futuro de nosso negócio."
"Espero que os historiadores do mercado digam que naquele dia em novembro a ação global tornou-se uma realidade, não somente em Nova York, mas em mercados de todo o mundo", prosseguiu Grasso. Outro passo para uma identidade global é transformar ADRs em ações verdadeiras. "Dentro dos próximos dois anos, a Bolsa de Nova York vai introduzir um programa-piloto para negociar ações de uma dúzia ou mais ações de companhias que hoje só usam as ADRs", disse o presidente da NYSE.
História - Os planos de Richard Grasso, embora ambiciosos, não fogem à tradição do mercado acionário americano. A Bolsa de Nova York nasceu em 1792, quando 24 corretores e mercadores reuniram-se em Wall Street (um muro havia sido erguido em 1653 entre os rios de Manhattan para proteger os colonizadores holandeses dos britânicos e dos índios, daí o nome do centro financeiro) para assinar um acordo de negociar ativos financeiros em bases comuns.
No início desta década, depois de quedas e altas históricas o Índice Dow Jones chegou aos 3 mil pontos, com mais de 51 milhões de americanos possuindo ações. De 1991 a 1999, o índice triplicou, coroando a década próspera para a economia do país e superando todas as crises. Agora Grasso quer oferecer o sonho de riqueza do americano médio aos outros países do globo.





