Paris - O suicídio, segunda causa de mortalidade entre os jovens na França, existe também entre as pessoas de idade e se propaga ao mundo do trabalho.
As últimas estatísticas, que datam de 1998, contabilizam 10.534 suicídios contra 8.000 no começo dos anos 70 e um máximo alcançado em 1986 com 12.525. Essas cifras ocultam grandes diferenças, pois o suicídio dos jovens (de menos de 34 anos) que tinha crescido muito, nos últimos 30 anos com um máximo em 1994, diminuiu claramente depois, enquanto o dos adultos (de 34 a 54 anos) continuou aumentando, assim como também o das pessoas de mais idade.
‘‘É razoável se preocupar com os adolescentes porque um suicídio nessa idade é uma confissão de impotência, mas é preciso não esquecer os adultos e pessoas idosas’’, disse à imprensa o professor Michel Debout, presidente da União Nacional para a Prevenção do Suicídio (UNPS).
O suicídio ‘‘nas três idades da vida’’ será o tema das jornadas francófonas e latinas para sua prevenção que se realizará entre segunda e quinta-feira da prócima semana na sede do Unesco em Paris. O evento coincidirá com a sexta jornada nacional para a prevenção do suicídio que se realizará em toda a França na terça-feira.
O desemprego como fator que favorece os suicídios foi apontado por Christian Larose, membro do conselho econômico e social e secretário-geral da Federação CGT da indústria têxtil.
‘‘O balanço é dramático’’, disse: no setor têxtil-roupa se contabilizaram nos últimos 8 anos 40 tentativas conhecidas de suicídio vinculadas com fechamentos de fábricas ou planos sociais das empresas. Mas se o desemprego pode levar ao suicídio, o trabalho também, já que as condições de trabalho ‘‘se deterioram enquanto crescem a pressão, as agressões, a perseguição e as demissões’’, declarou Michel Debout, que também é professor de medicina legal em um hospital universitário francês.
Autor de um livro que será lançado na semana próxima –‘‘La France du suicide’’ –, Debout citou uma pesquisa européia de 1999 sobre as condições de trabalho segundo a qual ‘‘9% dos assalariados, ou seja, 13 milhões de pessoas, foram vítimas de intimidações em seus locais de trabalho nos últimos 12 meses, enquanto 2% (3 milhões) sofreram de assédio sexual e outros 2% de violências físicas.
O suicídio de pessoas idosas provoca pouca emoção na mídia, deplorou Jean-Claude Blond, psiquiatra especialista em pessoas idosas. ‘‘No entanto, assinalou, as cifras são terríveis para a França, que continua sendo um dos países evoluídos onde se suicidam mais velhos em meio a certa indiferença’’.

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