Índice de suicídio preocupa franceses
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sexta-feira, 01 de fevereiro de 2002
France Presse 
Paris - O suicídio, segunda causa de mortalidade entre os jovens na França, existe também entre as pessoas de idade e se propaga ao mundo do trabalho.
As últimas estatísticas, que datam de 1998, contabilizam 10.534 suicídios contra 8.000 no começo dos anos 70 e um máximo alcançado em 1986 com 12.525. Essas cifras ocultam grandes diferenças, pois o suicídio dos jovens (de menos de 34 anos) que tinha crescido muito, nos últimos 30 anos com um máximo em 1994, diminuiu claramente depois, enquanto o dos adultos (de 34 a 54 anos) continuou aumentando, assim como também o das pessoas de mais idade.
É razoável se preocupar com os adolescentes porque um suicídio nessa idade é uma confissão de impotência, mas é preciso não esquecer os adultos e pessoas idosas, disse à imprensa o professor Michel Debout, presidente da União Nacional para a Prevenção do Suicídio (UNPS).
O suicídio nas três idades da vida será o tema das jornadas francófonas e latinas para sua prevenção que se realizará entre segunda e quinta-feira da prócima semana na sede do Unesco em Paris. O evento coincidirá com a sexta jornada nacional para a prevenção do suicídio que se realizará em toda a França na terça-feira.
O desemprego como fator que favorece os suicídios foi apontado por Christian Larose, membro do conselho econômico e social e secretário-geral da Federação CGT da indústria têxtil.
O balanço é dramático, disse: no setor têxtil-roupa se contabilizaram nos últimos 8 anos 40 tentativas conhecidas de suicídio vinculadas com fechamentos de fábricas ou planos sociais das empresas. Mas se o desemprego pode levar ao suicídio, o trabalho também, já que as condições de trabalho se deterioram enquanto crescem a pressão, as agressões, a perseguição e as demissões, declarou Michel Debout, que também é professor de medicina legal em um hospital universitário francês.
Autor de um livro que será lançado na semana próxima La France du suicide , Debout citou uma pesquisa européia de 1999 sobre as condições de trabalho segundo a qual 9% dos assalariados, ou seja, 13 milhões de pessoas, foram vítimas de intimidações em seus locais de trabalho nos últimos 12 meses, enquanto 2% (3 milhões) sofreram de assédio sexual e outros 2% de violências físicas.
O suicídio de pessoas idosas provoca pouca emoção na mídia, deplorou Jean-Claude Blond, psiquiatra especialista em pessoas idosas. No entanto, assinalou, as cifras são terríveis para a França, que continua sendo um dos países evoluídos onde se suicidam mais velhos em meio a certa indiferença.


