Índice de papéis que apresenta boa liquidez é baixo
São Paulo, 19 (AE) - A maioria dos empresários consultados pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) para a pesquisa sobre Mercado de Capitais e o Financiamento das Empresas Abertas considerou importante que a companhia se mantenha aberta para desfrutar da liquidez proporcionada aos acionistas, ou seja, da possibilidade de negociar as ações no mercado com frequência. Tal vantagem, porém
pode não passar de uma grande ilusão.
De acordo com o professor Carlos Antonio Rocca, coordenador da Fipe, um pequeno número de companhias oferece a liquidez adequada a seus acionistas. O estudo da Fipe revela que
de 463 empresas negociadas na Bovespa entre julho de 1997 e julho de 1998, apenas 60 (13% ) foram negociadas 261 dias ou mais do ano - média que garante bom índice de liquidez. Até 40% das empresas tiveram seus papéis negociados por um período de no máximo 30 pregões e cerca de 60%, a metade dos pregões realizados nesse período.
O Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), refletindo o comportamento das ações mais negociadas no pregão paulista, tem mostrado nos últimos anos uma elevada concentração do setor de telecomunicações: 55,2% do volume negociado com apenas dez ações. As demais pertencem aos setores de eletricidade, petróleo e bancos. A perspectiva de privatização foi o principal fator da elevada concentração.
A incidência de impostos também tem contribuído para esvaziar o mercado acionário. Quando foi instituída pela primeira vez a cobrança da alíquota de 0,38% da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), houve uma emigração dos investidores, especialmente para o mercado norte-americano. O mesmo acontece agora, já que na quinta-feira voltou a vigorar a cobrança da alíquota da CPMF. Além dos tributos, os processos burocráticos e questões legais estimulam as empresas a lançar os ADRs no mercado norte-americano.
A abertura da economia brasileira ao mercado internacional favorece esse movimento. Segundo o advogado Durval Noronha, do escritório de advocacia Noronha e Associados, estima-se que o estoque de recursos mantidos por brasileiros no sistema financeiro internacional, empresas e pessoas físicas seja de alguns bilhões de dólares. São investimentos que podem fluir para qualquer parte do mundo, para negócios com ações de empresas brasileiras, sem o ônus do mercado local. (C.S.R.)





