Índice de mortes por armas de fogo após 13 anos
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sexta-feira, 02 de setembro de 2005
Lígia Formenti<br>Agência Estado 
Brasília - O índice de morte por armas de fogo caiu no País depois de 13 anos. Em 2004, foram registadas 36.091 vítimas fatais, 3.234 a menos do que o notificado no ano anterior, 2003. O governo atribui a redução à Campanha de Desarmamento, um programa de entrega voluntária de armas, que começou justamente em 2004. ''Estamos vivendo um momento de crise'', afirmou o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. ''Mas é uma alegria ver que uma política bem pensada como esta trouxe como resultado a preservação de milhares de vidas'', avaliou. ''Considerando que as estatísticas só aumentavam, a conta tem de ser outra: não preservamos 3.230 vidas, mas muito mais'', avaliou Luiz Dulci. ''É o início da cultura de paz'', comemorou o ministro da Saúde, Saraiva Felipe, ao apresentar o levantamento.
Realizada pelo Ministério da Saúde, a pesquisa constatou uma redução do número de mortes provocadas por ferimentos de armas de fogo em 18 Estados. Mato Grosso foi o que apresentou a maior redução: 20,6%, em relação a 2003. Em números absolutos, o maior impacto na estatística foi registrado em São Paulo: 1.960 mortes a menos do que o notificado em 2003.
O secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa, diz ser clara a relação entre a redução de mortes e o desarmamento. ''Em locais onde o recolhimento de armas foi mais intenso, observou-se uma redução acentuada do número de mortes, 14,5%.'' Em compensação, onde o recolhimento foi baixo, o impacto nas estatísticas foi bem menor: 2,1%.
Os Estados que apresentaram aumento das mortes também tiveram uma baixa adesão à campanha. É o caso, por exemplo, do Rio Grande do Norte, que registrou aumento de 9,2% no número de mortes. O recolhimento de arma no Estado foi baixo, 89,9 por 100 mil habitantes. ''Acre, Roraima e Amapá também apresentaram aumento. Mas neste caso, é preciso fazer uma ressalva. Como os números não são muito altos, qualquer aumento já provoca mudanças significativas nas estatísticas'', comentou o secretário.
Lançada em julho de 2004, a Campanha de Desarmamento conseguiu até agora recolher 443 mil armas. O ministro da Justiça avalia que, até 23 de outubro, dia do fim da campanha e da realização do plebiscito das armas, a arrecadação deverá ser próxima de 500 mil. ''Todas as táticas usadas até agora, a campanha, as dificuldades para o homem ter uma arma contribui para a construção de uma idéia de paz'', avalia o ministro.
Thomaz Bastos observou que o objetivo da campanha é evitar mortes provocadas por discussões entre casais, brigas de trânsito. ''São casos em que a agressão só ocorre porque a arma está próxima'', observa. E, neste caso, as vítimas geralmente são crianças, adolescentes e mulheres. ''Para combater o crime organizado, para o bandido, a estratégia é outra. Passa, por exemplo, pela coibição da lavagem de dinheiro'', completou.
Na avaliação do ministro, a crise política pela qual o País vem passando não vai contaminar o plebiscito sobre armas. ''Há duas frentes parlamentares sobre o assunto. Uma contra, outra a favor. O debate já está aí'', completou.


