Índice de confiança tem maior queda desde que foi criado
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quinta-feira, 11 de novembro de 1999
por Renata Rondino 
São Paulo, 11 (AE) - O Índice de Confiança da Indústria no mês de outubro ficou em 3,7 com uma queda de 5% em relação a setembro, segundo pesquisa divulgada hoje pela Fiesp que envolveu 411 entrevistados que são empresários associados ao Ciesp no estado de São Paulo. Este foi o menor índice atingido até agora desde a criação desta pesquisa, em julho deste ano. Nesse período, esse índice atingiu 3,8, permaneceu inalterado em agosto e subiu para 3,9 em setembro, recuando em outubro para 3 7. De acordo com a diretora do Departamento de Pesquisas de Estudos Econômicos da Fiesp, Clarice Seibel, em outubro todos os componentes do índice pioraram, com exceção da avaliação da atuação do governo federal na condução do país, cuja a nota passou de 3,8 em setembro para 3,9 em outubro.
A conjuntura internacional para o Brasil teve nota 4,8, contra 5 em setembro. A nota da situação econômica do Brasil hoje caiu de 4,3 para 4,1. A situação política no Brasil hoje recebeu 3,1 contra 3,4 em setembro. Por último, a situação social do Brasil hoje teve sua nota diminuída de 3 para 2,7. A avaliação das perspectivas para o Brasil daqui a um ano também recuou passando 5,2 para 5.
O Índice de Avaliação de Gestão Governamental, por outro lado subiu de 3,9 para 4. A maioria dos itens deste índice tiveram melhora como por exemplo a política de juros, cuja a nota passou de 3,9 para 4,3. A política de incentivo a exportação recebeu nota 4,2, contra 4,1 em setembro. A avaliação da capacidade de liderança do processo político também melhorou, crescendo de 3,7 para 3,9. Também melhorou a nota da política de desenvolvimento e crescimento, passando de 3,5 para 3,7. A imagem do Brasil no mercado internacional permaneceu inalterada com nota 4,8. O mesmo aconteceu com a política de comercio internacional, cujo o índice permaneceu em 4,3. Recuaram apenas os índices de política cambial, que caiu de 4,6 ara 4, e de solução dos problemas sociais, que baixou de 2,8 para 2,6.
Clarice Seibel destacou que esse índice de avaliação de gestão governamental voltou ao patamar obtido em julho. Em agosto esse índice tenha recuado para 3,8 e subiu para 3,9 em setembro. Dentro dos componentes do índice, Seibel destacou a melhora da avaliação da política de juros e a queda da avaliação da política cambial. Segundo ela, para os empresários da indústria paulista, há muita preocupação em relação a taxa de cambio, que nos últimos dias tem ficado em torno de R$ 2,00.
De acordo com a pesquisa da Fiesp, 72% dos empresários consultados se disseram muito preocupados com essa taxa, contra 21% que se disseram poucos preocupados, 5% foram indiferentes e 2% mostraram despreocupação. Clarice Seibel afirmou que, para os empresários que se mostraram preocupados com o câmbio, há um temor de volta de uma inflação não desejada, aumento de custos e de queda na demanda doméstica. Para a diretora, é preciso fazer um esforço para que o dólar estacione num patamar adequado, o que seria entre R$ 1,85 e R$ 1,90. "Na atual situação, a taxa está elevada demais para o dólar e muita baixa para o real", afirmou. Para ela, é necessário que "se faça o dever de casa no lado fiscal", ou seja, a demora na aprovação das reformas deteriora as expectativas do mercado e impede o câmbio de recuar.
Outra maneira de se chegar a isso seria através do superávit comercial. A pesquisa da Fiesp apontou que a burocracia para acesso às linhas de crédito e as garantias exigidas para isso são alguns dos itens apontados como obstáculo ao aumento da exportação. O primeiro item foi citado por 77% dos entrevistados, e o segundo por 66%. Mas, de uma forma geral, esses itens tiveram queda em relação ao mês de setembro, com destaque para a disponibilidade de linhas de crédito para exportação, cujo o índice recuou de 53% para 45%. Outro ponto positivo foi o grau de atualização tecnológica do parque industrial brasileiro, que recuou de 28% para 22%.
Salários - Os empresários da indústria paulista acreditam também que os reajustes salariais para empregados de algumas montadoras poderão provocar uma pressão maior por reposições salariais em outras categorias. A pesquisa da Fiesp mostra que 86% dos 411 empresários consultados acreditam nisso. Outros 13% acham que isso não vai acontecer. Para 56% desses entrevistados, as empresas que concederem reajustes de salários não terão condições de compensá-los. Desse total, 61% são empresas de pequeno porte. Para as demais, 44% vão obter essa compensação através de repasse de preços, 27% via aumento de produtividade e 20% pelo incremento no esforço de vendas.
A pesquisa da Fiesp mostra também que 55% dos entrevistados não tem conhecimento do que trata o Programa de Recuperação Fiscal (REFIS), estabelecido pelo Governo Federal. Dos 45% que tem conhecimento, apenas metade acredita que o programa dará condições para facilitar o pagamento de suas dívidas.
Desta forma, a diretora do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp, Clarice Seibel, questionou a eficácia do programa, uma vez que 72% dos entrevistados ou desconhecem o REFIS ou acham que ele não facilita o pagamento dos débitos das empresas. Para esses entrevistados, os problemas de ordem fiscal, financeira e a perda da autonomia e de ação das empresas que aderirem ao REFIS serão entraves ao sucesso do programa. Seibel destacou ainda que a outros 3 pontos do programa que merecem criticas da Fiesp: sigilo bancário, as garantias exigidas para a adesão e a aplicação da TJLP apen as para novas dívidas, e que o estoque de débitos continue reajustado pela Selic.
Segunrança - A pesquisa diz ainda que 815 dos entrevistados são contra a cobrança da taxa de segurança, que financiaria a compra de equipamentos para a polícia paulista. Cerca de 85% das microempresas e 83% das pequenas são contra essa taxa. A principal justificativa é o aumento de custos para 44% dos entrevistados. Outros 29% apontaram a ineficiência do governo e 27% afirmaram que desconfiam dos órgãos públicos. Essa taxa seria uma cobrança mensal de R$ 2,50 em cada conta telefônica de aparelhos fixos e celulares. O estudo da Fiesp foi feito em parceria com o Vox Populi.


