Índice de confiança do consumidor cai 3,68% em maio
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domingo, 23 de maio de 1999
Por Denise Carvalho 
São Paulo, 24 (AE) - O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) em São Paulo caiu 3,68% em maio, em comparação ao mês anterior, depois de ter registrado expressiva alta, de 7,3%, em abril em relação a março. O indicador, apurado e divulgado pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (FCESP), em parceria com a AGÊNCIA ESTADO, revela que, apesar da melhora do quadro macroeconômico do Brasil (queda da taxa de inflação, redução dos juros para 27% ao ano, crescimento de 1% do PIB no 1º trimestre e estabilização da taxa de câmbio), o consumidor ainda é pouco otimista em relação ao futuro.
O economista da FCESP, Fábio Pina, avalia que, passado o auge da crise que desencadeou a explosão do dólar, o aumento nas taxas dos juros e queda nas Bolsas de Valores, o consumidor ficou um pouco receoso sobre as condições de o Brasil enfrentar a crise a longo prazo e resolver outros problemas, tais como o desemprego. "O consumidor tem a sensação de que o governo conseguiu controlar a situação do País no curto prazo, mas, as expectativas para o futuro não são boas", disse Pina.
O ICC é composto por um conjunto de perguntas aos consumidores sobre a sua situação econômica atual e de suas expectativas em relação ao futuro econômico da família e do País. Segundo a pesquisa, o Índice de Condições Econômicas Atuais (ICEA) subiu 9,85% em maio em relação a abril, enquanto o Índice de Expectativas do Consumidor (IEC) registrou queda de 7 84% no mesmo período.
Para Pina, os índices comprovam que os consumidores confirmam o sentimento de melhoria conjuntural de curto prazo, porém, não estão muito otimistas.
O economista explica que no auge das crises, as expectativas quanto ao futuro costumam ser melhores porque os consumidores não acreditam - e torcem - que a situação econômica piore. "O que puxa o ICC para baixo é o medo de o consumidor ver o seu salário ser engolido pela inflação.
As pessoas com renda inferior a 10 salários mínimos, por exemplo, são menos otimistas do que as que recebem acima de 10 salários mínimos", disse Pina. "A dúvida de que o governo consiga fazer a reforma tributária ainda é grande, contribuindo para a baixa expectativa do consumidor", explicou.
A pesquisa FCESP-AE ainda mostra que os homens são mais otimistas do que as mulheres e que as pessoas maiores de 35 anos são menos otimistas do que as mais jovens, entre 18 a 34 anos. "As mulheres vão mais aos supermercados e têm mais noção dos preços no dia-a-dia, por isso, tenderem a ter mais dúvidas. Os mais velhos têm menos confiança na consistência da política econômica porque já vivenciaram esta situação outras vezes", avaliou Pina.
Para o economista da Federação, a percepção dos consumidores é coerente com o cenário macroeconômico esperado após a desvalorização do real. "As exportações não aconteceram, a pressão de preços não existiu, a inflação está em queda, os salários reais estão relativamente estáveis e a economia melhorou.
Melhoram as condições econômicas atuais, mas pioram as condições futuras, pois o País não fará o superávit comercial esperado e a restrição externa ao crescimento continuará mais forte do que nunca.


