São Paulo, 20 (AE) - Entre 1991 e 1996, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Estado de São Paulo apresentou melhora significativa, deixando o Estado no nível dos 22 países com maior IDH no mundo. Todas as regiões do Estado, à exceção de Registro, passaram de um IDH médio para alto, segundo estudo divulgado hoje pela Secretaria de Economia e Planejamento do Estado. O IDH, criado pela Organização das Nações Unidas (ONU), é a média aritmética de três indicadores: renda per capita, longevidade e escolaridade. A pesquisa usou a metodologia adotada pela ONU até o ano passado para medir o índice.
Apesar da melhoria global do IDH de todas as regiões do Estado, a evolução do índice entre 1991 e 1996 mostra um aumento das disparidades regionais, ao contrário do que ocorreu entre 1970 e 1991. "O estudo mostra que os indicadores sociais do Estado estão evoluindo melhor que o Produto Interno Bruto (PIB), estamos avançando em educação, saúde e longevidade", afirmou o secretário de Economia e Planejamento, André Franco Montoro Filho. A evolução do IDH na área de Registro ilustra bem a tese: a região está na rabeira do Estado sobretudo devido à redução da renda per capita. O índice de renda caiu de 0,769, em 1991, para 0,574, em 1996, mas o índice de educação evoluiu de 0,638 para 0 842 e a longevidade passou de 0,676 para 0,723. Em quase todas as regiões, são os indicadores de educação que elevam o IDH. Dinamismo - Montoro destacou também que o índice teve evolução mais favorável no interior do Estado. A Grande São Paulo, que apresentava o melhor IDH do Estado em 1991, caiu para a quarta posição, em 1996. "O estudo confirma que o interior está atraindo mais investimentos e apresenta melhoria mais acentuada na qualidade de vida", disse Montoro. Ele destacou ainda o extremo dinamismo na evolução do IDH no Estado, uma vez que os líderes do ranking variaram nas quatro vezes em que o Estudo foi realizado: 1970, 1980, 1991 e 1996.
Araçatuba, Presidente Prudente e São José do Rio Preto são, na ordem, as regiões com IDH mais alto, seguidas pelas regiões da Grande São Paulo, Ribeirão Preto, Campinas, Região Central, Franca, Bauru, Barretos, Marília, São José dos Campos, Sorocaba, Santos e Registro. Segundo o estudo do governo paulista, apenas dez países do mundo apresentam IDH superior ao registrado na região de Araçatuba, a de melhor IDH do Estado. São eles, na ordem, Canadá, França, Estados Unidos, Japão, Espanha, Reino Unido, Alemanha, Itália, Coréia do Sul e Argentina. A maior parte das regiões administrativas do Estado (12 das 15) apresenta IDH que as deixa entre a Argentina e a Venezuela. Já a região de Registro tem IDH próximo ao da áfrica do Sul.
Em termos de comparação com o resto do País, as regiões de Araçatuba e Presidente Prudente apresentam IDH superior à média do Rio Grande do Sul (Estado com melhor IDH do Brasil), enquanto metade (sete) das regiões paulistas tem um IDH entre o do Distrito Federal e o de Santa Catarina. Bastante abaixo da média nacional está Registro, com IDH próximo ao do Pará. Pequenos dominam - Os municípios pequenos e muito pequenos são os que apresentam melhor desempenho, o que confirma a tendência de outras pesquisas que mostram que a qualidade de vida se concentra cada vez mais fora das grandes cidades. Os dez municípios com maior IDH do Estado são: águas de São Pedro, Tupi Paulista, Cruzália, Ilha Solteira, São Caetano do Sul, Dumont, Sales Oliveira, Buritizal, Pedrinhas Paulista e Saltinho.
No outro extremo, chamam a atenção os contrastes no nível de IDH da região metropolitana. Nessa área, os municípios de Franco da Rocha, Francisco Morato, Mairiporã e Juquitiba, apresentam IDH entre o do Egito e da Indonésia, sendo que os três primeiros e Suzano apresentam índice de renda do mesmo nível que o Iraque, Marrocos e Vietnã. O melhor IDH da região metropolitana é o de São Caetano do Sul. O município com pior IDH do Estado é Barra do Turvo, na região de Registro, com índice 0,5476, próximo ao do Marrocos.
"Precisamos encontrar mecanismos capazes de superar a situação da região de Registro, que apresenta o pior IDH do Estado desde 1970", disse Montoro, afirmando que, além de sólidos investimentos públicos em saúde e educação, a região necessita descobrir sua vocação econômica.

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