Indicadores de pobreza e renda começam a registrar reversão
PUBLICAÇÃO
domingo, 28 de fevereiro de 1999
Por Suzana Santos 
Rio, 01 (AE) - Alguns indicadores positivos sobre pobreza e distribuição de renda registrados a partir do Plano Real e até o segundo semestre de 1996 começaram a apresentar uma reversão de tendência nos dados apurados em agosto do ano passado, refletindo a crise da ásia, a alta dos juros e o aumento do desemprego, segundo estudo do economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e coordenador do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (IETS), Marcelo Neri. Um dos dados do estudo revela que o ganho de renda dos 10% mais pobres da população, que chegou a ser de 17% em 1995 e 1996 , caiu nos últimos dois anos e ficou nulo no balanço acumulado de quatro anos do governo Fernando Henrique Cardoso.
Outro dado que mostra uma reversão do quadro positivo é o que trata da queda do percentual da população brasileira que vive na linha de pobreza, que é quem sobrevive com até R$ 65 por mês. Neri revelou que antes de junho de 1994, 33% da população vivia na linha de pobreza, mas que este percentual caiu para 25% no segundo semestre de 1996. "Este foi auge do Plano Real", lembrou o economista. Em agosto do ano passado, este percentual ficou em 27,5%, mostrando um crescimento no número de pessoas no nível de pobreza. Todo o estudo do economista é baseado em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Neri justificou a mudança no cenário como consequência do impacto do aumento das taxas de desemprego no País. O economista lembrou que a cada 10% de elevação no nível de desemprego há um reflexo no índice de pobreza. Estes 10% provocam aumento de 5% no percentual que reflete o número de pessoas pobres. Outra variável importante na estrutura macroeconômica do Brasil é o câmbio, segundo ele. Uma desvalorização de 10% no real frente ao dólar corresponde a um crescimento de 2% no percentual que indica o número de pessoas no Brasil, considerando a renda domiciliar per capita, que vivem na linha de pobreza.
O economista lembrou ainda que há um aumento na desigualdade registrado nos dados de agosto de 98. Ao mesmo tempo que apurou-se redução nos ganhos de renda dos 10% mais pobres do País, os 10% mais ricos apresentaram crescimento de 5% na renda acumulada no balanço dos quatro anos do governo Fernando Henrique. Nos dois primeiros exercícios do governo, os ricos registravam aumento de 5% por ano na renda, segundo Neri analisou nos dados do IBGE.


