São Paulo, 30 (AE) - A produção industrial em São Paulo cresceu 0,9% em fevereiro em relação a janeiro, segundo levantamento de conjuntura do Departamento de Pesquisa e Estudos Econômicos (Depecon) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O indicador, apesar de modesto, confirma que a atividade industrial iniciou um ciclo de crescimento com vigor. "Há várias boas notícias sobre a indústria paulista", afirmou a diretora do Depecon, Clarice Seibel.
O principal indicador de crescimento são as vendas industriais, cujo valor real, em fevereiro, foi 10,1% maior que em janeiro, depois de retirados os fatores sazonais próprios da atividade. Em relação a fevereiro de 1999, o Indicador de Nível de Atividade (INA), o índice apurado mensalmente pela Fiesp, cresceu 10,8%. Em valor, as vendas foram 22,3% maiores ante igual período do ano passado.
A comparação com fevereiro de 1999 ficou prejudicada por causa da brusca desvalorização cambial de janeiro do ano passado
que derrubou a produção. Mesmo assim, as projeções para os meses de março e abril mostram que indústria está retomando o crescimento sustentado. A estimativa dos técnicos da Fiesp é de que o expansão acumulada até abril será de 6,5%, se comparada a igual período do ano passado. O porcentual, embora distorcido pela queda do nível de atividade dos primeiros meses do ano, mostra que boa parte das perdas ocorridas em 1999 encontram-se em recuperação. No ano passado, o INA caiu 4,2% e a expectativa é que, até o fim deste ano, a produção da indústria paulista cresça de 4% a 4,5% em relação a 1999.
Crédito - Clarice Seibel diz que a expansão industrial deverá ocorrer sem muitos obstáculos. Não há problemas com o fornecimento de matérias-primas, nem pressão inflacionária. Há mais recursos na economia, e a queda nas taxas de juro favorecerão tanto a indústria quanto o consumidor, cuja renda tende a aumentar. O custo do financiamento à produção deve cair e o parcelamento das compras de bens duráveis, aumentar.
Os índices que compõem o INA mostram essa situação favorável. Pela primeira vez nos últimos 12 meses o valor real dos salários pagos pela indústria é maior que em igual período do ano passado. Segundo a pesquisa, cresceu 1,5% e o salário real médio, 1,3%. Também aumentou o número de horas trabalhadas na produção. O pessoal empregado na indústria paulista trabalhou 8,3% mais em fevereiro. Mas o contingente ocupado diminuiu 0,4% ante igual período do ano passado.
Esses indicadores mostram que as empresas estão recorrendo às horas extras para acelerar a produção. Clarice Seibel disse que isso é normal num momento de retormada da produção, porque sempre sobram fatores de incerteza que levam os dirigentes de empresa a protelar as contratações. Elas só ocorrem a partir do momento em que o clima de incerteza se dissipa. Apesar da retração em fevereiro, a Fiesp prevê também uma retomada do crescimento do nível de emprego nos próximos meses.
Comunicações - Entre os setores que mais cresceram em fevereiro está o de material elétrico e de comunicações. A produção foi 2,4% maior que em janeiro, o que deverá se repetir neste mês, em relação a fevereiro. Foi o resultado do expressivo aquecimento do mercado de equipamentos de comunicação: o valor real das vendas aumentou 7,8%, em comparação com janeiro.
O número de horas trabalhadas no setor de comunicações foi 8,4% maior do que no mês anterior. Já a utilização da capacidade instalada repetiu o nível de janeiro (81%), embora isso signifique oito pontos porcentuais acima da média histórica do setor. Comunicações deverá estar entre os setores mais dinâmicos neste ano, prevê a diretora da Fiesp. Haverá inúmeros lançamentos - de artigos de consumo a bens de capital - que deverão contribuir para esse bom desempenho. Também a expectativa de investimentos em geração, transmissão e distribuição de energia contribuem para a performance desse setor.
Outro setor que mereceu destaque é o de material de transporte. De acordo com Clarice Seibel, os sinais mais fortes da recuperação partem das exportações. Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), as exportações cresceram 55% em fevereiro, ante janeiro. Outra contribuição positiva para o resultado global foram as vendas dos aviões da Embraer, que continuam em expansão.

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