Rio - O percussionista do grupo O Rappa, Paulo Sérgio Santos Dias, o Paulo Negueba, de 21 anos, continua internado, depois de ter levado dois tiros na última sexta-feira, em Vigário Geral, no Rio. Negueba deve sair da favela, onde mora com a mãe e as irmãs.
Ontem, foi anunciado o nome do novo comandante do Batalhão de Operações Especiais, cujos policiais teriam atirado no músico, segundo ele mesmo relatou. O novo comandante será Sérgio Woolf Meinicke, 49 anos, que até então estava na Escola Superior de Polícia Militar.
Negueba já planejava sair de Vigário Geral, segundo amigos. Ele costumava chegar muito tarde à favela, por causa das apresentações do grupo. Agora, ainda segundo os amigos, ele pensa em facilitar o tratamento a que terá que se submeter. De acordo com os médicos, ele só deverá voltar a andar em um mês e só poderá tocar daqui a três meses, depois de fazer fisioterapia.
O coordenador executivo do AfroReggae, José Junior, disse ontem, em carta enviada à imprensa, que Negueba está indignado. ''Por surpreendente que pareça, Paulo Negueba não está revoltado. Paulo está indignado! Não somente com a situação a que está submetido, mas principalmente com o que rola diariamente nas favelas do Rio de Janeiro. Saber que você é julgado sumariamente pela sua cor e pelo lugar onde mora é uma violação aos direitos básicos à humanidade e à cidadania'', escreveu Junior.
Comandante - O novo comandante que estará à frente dos 406 policiais do Bope já comandou a corporação, entre 1996 e 1997, durante a gestão do ex-governador Marcello Alencar (PSDB). Segundo o secretário da Segurança Pública do RJ, Roberto Aguiar, Sérgio Meinicke tem as características necessárias para assumir a função: cursos especiais e preparo de combate.
Sobre a atuação do ex-comandante do Bope, Venâncio Moura, afastado por Aguiar depois do episódio em Vigário Geral, o secretário não quis comentar. Ele disse apenas que a conduta de Moura está sendo avaliada sob o ponto de vista da ''operação e da letalidade que ofereceu às pessoas''.

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