Indicação de Teresa Grossi para diretoria do BC causa polêmica no Senado
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quarta-feira, 01 de dezembro de 1999
Por César Felício e Vânia Cristino 
Brasília, 01 (AE) - A indicação de Tereza Grossi Togni para a diretoria de fiscalização do Banco Central no lugar de Luiz Carlos Alvarez poderá ser rejeitada pelo plenário do Senado. "O ambiente hoje não é favorável para a aprovação do nome dela", disse o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), minutos antes de receber o presidente do Banco Central, Armínio Fraga Neto, para a solenidade do lançamento do livro "O Dinheiro Brasileiro".
Segundo ACM, "seria uma leviandade dizer com antecedência se Tereza Grossi será aprovada ou não". Durante o discurso de recepção a Fraga Neto, o presidente do Senado fez uma menção implícita ao assunto: "O Senado lhe têm muito apreço
o que não significa que sempre possa atender aos seus desejos"
afirmou. Ainda hoje circulou entre senadores do PMDB a transcrição de alguns trechos de uma teleconferência dada a funcionários do BC por Tereza em 18 de agosto, quando ela já era chefe do departamento de fiscalização. A transcrição foi distribuída à imprensa por assessores do partido.
Nos trechos transcritos, Tereza defende um tratamento diferenciado da fiscalização para bancos estrangeiros, diz que o BC não examina consórcios e cooperativas por falta de pessoal e recomenda que o atendimento a correntistas seja feito por telefone pelo sistema 0800.
A funcionária do Banco Central foi uma das responsáveis pela operacionalização da compra de contratos futuros de dólar dos bancos Marka e FonteCindam em janeiro deste ano, por um valor abaixo da cotação do mercado à vista. A operação foi investigada pela CPI do Sistema Financeiro no Senado, que pediu o enquadramento da funcionária por peculato e falsidade ideológica.
"Foi falta de visão do Banco Central fazer esta indicação, porque ela não é lógica", afirmou o vice-presidente do PFL, senador José Agripino Maia (RN), que disse ver "com restrições" o nome da funcionária. " Ela está respondendo a dois inquéritos do Ministério Público, além de ter sido investigada pela CPI", afirmou o senador Pedro Simon (PMDB-RS), para quem "o Banco Central resolveu fazer uma provocação ao Senado".
Segundo Simon, a transcrição da teleconferência torna ainda mais inviável do ponto de vista político a indicação de Tereza Grossi. Nos trechos selecionados da fita, Tereza afirma que o Banco Central não deve se preocupar com a hipótese da filial de um banco estrangeiro falir. "Os bancos estrangeiros, a representação que eles tem no Brasil, os bancos que eles tem no Brasil são uma parte muito pequena dos conglomerados que existem no exterior", disse a funcionária, citando o HSBC como exemplo: "Qualquer problema que acontecer no HSBC aqui com certeza absoluta o controlador vai resolver, se esse banco tiver um problema de capitalização aqui, vai ser resolvido imediatamente, nós não temos porque ter receio de que esse banco possa quebrar e causar problemas ao sistema financeiro brasileiro", disse Tereza.
A funcionária ainda teria admitido que consórcios e cooperativas não são fiscalizados: "não temos pessoal suficiente para fazer isso e entre fazer a fiscalização de um banco que pode causar um grande problema na economia brasileira, uma quebra do tipo Econômico, do Nacional ou Bamerindus e fazer a fiscalização de uma cooperativa, eu pessoalmente prefiro fazer a de um banco grande e assumo o ônus de não fazer a da cooperativa", disse. Tereza ainda teria dito que "atender a sociedade" não significa "estourar o mercado marginal junto com a Polícia Federal" ou atender diretamente um correntista.
"O meu entendimento de atender a sociedade é nós mantermos um sistema financeiro saudável, evitemos (sic) quebra do tipo das que já ocorreram no passado (...) e dessa forma eu acho que nós vamos estar atendendo a sociedade de uma maneira muito melhor do que se nós nos preocuparmos única e exclusivamente em atender aquele correntista", afirmou.
Tereza ainda disse que a reestruturação do Departamento de Fiscalização do BC, que envolveu o fechamento de unidades do banco na Bahia e no Pará, provocando reações no meio político foi feita com pouca discussão interna. "Realmente o processo foi fechado, a reestruturação foi desenhada no gabinete do Departamento de Fiscalização(...) nós não discutimos o assunto reestruturação nem com os chefes de divisão que estão aqui na sede", afirmou, acrescentando ainda que o BC não se preocupava com a possibilidade da Câmara dos Deputados aprovar um decreto legislativo interferindo na fiscalização.
"A avaliação do banco é que nós devamos tocar a reestruturação e que não devamos nos paralisar em função da ameaça do Decreto Legislativo", disse.


