Indicação de diretor envolve presidente Clinton diretamente. Da correspondente Monica Yanakiew2/Mar, 17:59 Washington, 02 (AE) - A disputa para indicar um diretor-gerente para o Fundo Monetário Internacional (FMI) acabou envolvendo diretamente o presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton. Hoje ele assegurou que quer um europeu para o cargo (vago desde a saída antecipada do francês Michel Camdessus no último dia 15 de fevereiro) e que não apoiará a candidatura do diretor-gerente interino, Stanley Fischer, lançada por 20 países africanos. Nascido na Zâmbia, Fischer naturalizou-se americano. Ele é considerado o mais qualificado dos três candidatos à vaga de Camdessus e é visto como um representante do Terceiro Mundo. Mas tem um problema: seu passaporte. Se Clinton apoiasse Fischer irritaria os europeus, cujo candidato - o vice-ministro das Finanças da Alemanha, Caio Koch-Weser - foi descartado pelo governo americano. "Não vou apoiar um candidato americano, apesar de ter um enorme respeito por Fischer", disse Clinton hoje. "Acho que os europeus devem liderar o FMI e aceitaria um alemão", acrescentou o presidente. Mas ele também fez uma ressalva: os EUA (os maiores acionistas do Fundo) querem "a pessoa mais forte do mundo" para chefiar a instituição financeira, que tem sido muito criticada por sua incapacidade de prever e solucionar as crises financeiras da última década. As declarações de Clinton à imprensa foram feitas num dia crucial. Hoje, os 24 diretores do Board do FMI (que representam os 182 países) se reuniram às 15h (17h horário de Brasília) para tentar resolver o impasse. Numa votação secreta e informal, eles esperavam minimizar as divergências e chegar a um consenso - algo que parece improvável, a não ser que surjam novos candidatos. O terceiro nome, em discussão, é o ex-vice-ministro das Finanças do Japão, Eisuke Sakakibara, que tem o apoio da ásia, mas não da China. Pela manhã, o governo alemão reiterou seu apoio a Kock-Weser, mas deixou uma pequena porta aberta para outra saída, caso seu candidato continue enfrentando resistências. Os nomes de alguns europeus, que poderiam substituí-lo, foram mencionados informalmente, mas nenhum foi confirmado. Entre eles, o ministro do Tesouro italiano, Giuliano Amato (que negou ter sido abordado pelos americanos), e o ex-ministro das Finanças belga, Phillipe Maystat, que hoje lidera o Banco Europeu de Investimentos. Kock-Weser, que estava em Washington fazendo lobby pela sua candidatura, fez sua carreira no Banco Mundial. Apesar de ter nascido no Brasil, ele não tem o apoio do governo brasileiro. Para os americanos, ele é um burocrata, sem peso político necessário para levar adiante a reestruturação do FMI - especialmente agora, num mundo de economia globalizada, em que uma crise no Sudeste Asiático acaba atingindo países como Rússia e Brasil e afetando as bolsas nas principais capitais financeiras.