Boa Vista, 01 (AE) - Uma fita divulgada na campanha eleitoral pela senadora Marluce Pinto, que disputava na época o governo de Roraima pelo PMDB, indica que o desembargador Robério Nunes dos Anjos foi o responsável pela escolha de Luiz Fernando Miglioni para ocupar a presidência da Companhia de Desenvolvimento de Roraima (Codesaima). A nomeação de Miglioni, segundo a gravação, teria sido feita para evitar a apuração de irregularidades na empresa, denunciadas durante a campanha.
O desembargador Robério é um dos personagens de uma outra gravação, cujo conteúdo foi publicado esta semana pelo jornal "O Estado de S.Paulo". Segundo essa última fita, o desembargador estaria agindo para favorecer o governador Neudo Campos (PPB) e asessorando-o informalmente. A gravação foi enviada ao senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) para ser incluída na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Judiciário.
Há seis meses, um processo administrativo foi aberto na Codesaima para apurar denúncias de irregularidades na estatal. Na época, a empresa era dirigida por Vilson Mulinari, cunhado de Neudo Campos, e tinha na diretoria Luiz Carlos Florenciano, casado com uma irmã de Suely Campos, esposa de Neudo, e José Hamilton dos Santos, esposo da secretária de Educação do Estado, Antônia Vieira. Segundo as denúncias levadas ao Ministério Público, os antigos diretores usavam testas-de-ferro para emissão de notas frias: a empresa compraria mercadorias de pequenos produtores e ficaria com a diferença.
Quando o escândalo estourou durante o processo eleitoral, Neudo Campos afastou a diretoria e nomeou Migliolin. Sua indicação foi feita pelo desembargador, segundo fita gravada com telefonema de Robério com a então chefe do Gabinete Civil, Cilene Lago Salomão. Na fita consta ainda uma conversa entre Cilene e Suely, onde Cilene diz que a indicação de Migliolin seria importante pelo fato "dele ser muito amigo do Édson Damas (promotor público que na época cuidava da investigação do caso)".
Migliolin foi para a empresa com a responsabilidade de conduzir uma comissão de investigação e promover uma auditoria na empresa, mas depois de seis meses de sua posse nada foi apresentado - nem a comprovação das denúncias nem a prova da inocência dos denunciados.
A conversa da negociação para a nomeação do atual presidente da Codesaima foi usada na campanha política da senadora Marluce Pinto. Na época, Neudo conseguiu alegar que "grampo era ilegal e, portanto, não mereceria crédito por parte de ninguém". Ao afastar seus parentes da empresa, o governador disse que tudo seria apurado, mas até o momento as investigações arrastam-se no Ministério Público Estadual sem que haja uma posição a respeito do assunto.

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