A maioria das índias brasileiras nunca ouviu falar de feminismo nem do Dia Internacional da Mulher, mas se esforçam há anos para conseguir a mesma participação de seus maridos, filhos e irmãos nas lutas de seus povos. As batalhas pela terra, o respeito à cultura e a preservação da identidade indígena sempre tiveram no Brasil rosto masculino. Os líderes indígenas foram homens até que Maria de Lourdes da Conceição Alves, uma mulher da tribo genipapo-Kanindé, do Ceará, foi eleita chefe de uma comunidade de 170 pessoas há sete anos.
Desde então, somente outra mulher dentro dos 220 povos indígenas brasileiros conseguiu a mesma honra: uma tuxuaua de Roraima chamada Diva da Silva. ‘‘Queria saber o que era viver lutando por meu povo’’, declarou, dois anos depois de sua eleição.
Baseando-se em seu papel de mães que amamentam seus filhos, trabalham na terra e lutam ao lado de seus maridos, as índias brasileiras já criaram dois movimentos femininos que pedem uma maior participação das mulheres nas decisões da comunidade: um deles agrupa tribos do Leste do país, nos estados de Minas Gerais, Espírito Santo e Sul da Bahia, e outro reúne indígenas de Roraima.
Se o contato com a civilização trouxe aos povos indígenas enfermidades, violência e perda de identidade, a influência da civilização teve pelo menos um efeito positivo, já que fez nascer nas mulheres o desejo de mudar a estrutura das sociedades em que vivem. ‘‘Estamos preparadas para ser chefes’’, reclamaram no foro antineoliberal de Porto Alegre mulheres kaingang, pataxós, terena, kaxinawa e guaranis, ante o espanto de seus maridos.
‘‘Estamos preparadas para ser chefes’’, reclamaram no foro antineoliberal de Porto Alegre mulheres kaingang, pataxós, terena, kaxinawa e guaranis, ante o espanto de seus maridos.

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