Índia teme que Paquistão fique tentado a usar bomba nuclear
Paris, 29 (AE-AP) - O ministro da Defesa da Índia, George Fernandes, disse hoje (29) em entrevista ao jornal francês Le Figaro temer que o Paquistão fique tentado a usar suas armas nucleares caso a crise pela disputada região da Caxemira termine em guerra.
Fernandes disse ao jornal conservador francês que o Paquistão já perdeu três guerras contra a Índia e ainda se recusa a assinar um tratado no qual cada um se compromete a não usar primeiro as armas atômicas.
"Paquistão é um país irresponsável", disse o ministro indiano. "No caso de um quarto confronto, ele pode ser tentado a apertar o botão nuclear."
A Índia vem tentando há quase dois meses expulsar guerrilheiros separatistas que se infiltraram na parte indiana da dividida região da Caxemira - a causa de duas das três guerras travadas pelos dois países rivais desde sua independência da Grã-Bretanha, em 1947.
O governo de Nova Délhi acusa o Paquistão de estar apoiando os rebeldes muçulmanos, no entanto Islamabad nega qualquer envolvimento na rebelião no Himalaia.
Fernandes também protestou oficialmente pela decisão da França de vender três submarinos e oito jatos Mirage reformados ao Paquistão. "A Índia e a França têm interesses de defesa em comum, mas ao fornecer armas ao Paquistão, a França está cometendo um sério engano", disse o ministro.
A Índia também protestou formalmente pelo que definiu como o "sequestro" de um funcionário da embaixada indiana no Paquistão. Segundo Nova Délhi, o funcionário foi arrancado de seu carro e agredido por agentes de segurança de Islamabad. Na segunda-feira, o governo indiano expulsou do país um membro da missão diplomática do Paquistão, acusando-o de espionagem.
Após os fracassos diplomáticos para obter-se o fim da crise, aviões de combate da Índia atacaram os guerrilheiros infiltrados na colinas da Caxemira na noite de segunda-feira e na manhã de hoje. Nova Délhi, que rechaçou todas as tentativas de mediação de outros países na disputa, indicou que não pode haver uma solução para o conflito que não contemple a retirada incondicional dos guerrilheiros muçulmanos de seu território.
Ainda hoje, o primeiro-ministro paquistanês, Nawaz Sharif, encerrou sua visita de dois dias à China para obter apoio do país comunista. No entanto, o presidente chinês, Jiang Zemin, limitou-se a criticar a Índia e o Paquistão por causa do conflito na Caxemira e pela ameaça de uma corrida armamentista na região.
"Sem paz e desenvolvimento no sul da ásia não pode haver realmente paz e bem-estar no continente", disse Jiang em declarações citadas pela TV estatal chinesa.
Fontes militares indianas informaram hoje que pelo menos 60 soldados paquistaneses e indianos morreram nos recentes combates perto do povoado de Drass, em Jammu-Caxemira. A batalha ocorreu por um pico, conhecido como Ponto 4700 - sua altura em metros -, perto da posição estratégica da colina do Tigre, por onde passa a principal estrada da região.
O total de vítimas da velada guerra travada entre a Índia e o Paquistão chega a mais de 750, segundo números do Exército indiano, apesar de acreditar-se que a cifra seja três vezes superior. A agência de notícias oficial paquistanesa APP, citando o brigadeiro Rashid Qureshi, informou que a Índia perdeu 500 de seus soldados nos recentes combates. No entanto, a APP não informou o número de soldados paquistaneses mortos ou feridos nos combates ou por disparos de artilharia.





