Índia suspende ataques aéreos na Caxemira
Nova Délhi, 12 (AE-AP) - Artilheiros paquistaneses abriram fogo nesta segunda-feira (12) contra uma estrada indiana na Caxemira, em um dos bombardeios mais intensos em oito semanas, apesar de indicações anteriores de um cessar-fogo de fato entre os dois países envolvidos.
No momento dos disparos, um comboio de jipes transportando jornalistas e um grupo de caminhões tanque passava pelo local e os motoristas aceleraram para fugir do ataque. Não foi possível confirmar imediatamente se algum veículo foi atingido.
Mais cedo, a Índia suspendeu seus ataques aéreos para facilitar a retirada de guerrilheiros separatistas que se infiltraram na parte indiana da Caxemira, mas advertiu que não se trata de um cessar-fogo.
Além disso, Nova Délhi informou ter pedido ao Paquistão que retire todos os invasores antes de sexta-feira.
O governo indiano, que assegura haver soldados paquistaneses entre os rebeldes separatistas, advertiu hoje que qualquer invasor encontrado do seu lado da linha de controle - que divide a Caxemira entre a Índia e o Paquistão - após o vencimento do prazo será tratado como um "elemento hostil" e medidas adequadas serão tomadas.
Por sua vez, o primeiro-ministro do Paquistão, Nawaz Sharif - que no domingo acertou com a Índia um acordo de retirada para pôr fim ao pior conflito entre as duas potências nucleares em quase 30 anos -, pediu à Índia a retomada de conversações sobre o disputado território da Caxemira, pelo qual os dois países rivais travaram duas de suas três guerras.
"Acredito que o propósito da ocupação de Kargil pelos mujahedins (guerreiros sagrados) era atrair a atenção mundial para a questão da Caxemira", disse Sharif. "Concordando em sair dessas colinas por nosso apelo, os mujahedins criaram uma oportunidade que irá, se Deus quiser, levar à liberação da Caxemira."
O Paquistão busca a pressão da comunidade internacional sobre a Índia para que seja realizado, sob comando das Nações Unidas, um plebiscito para determinar se o território indiano, de maioria muçulmana quer manter-se indiano ou tornar-se paquistanês.
Os Estados Unidos esperarão a retirada total dos invasores para, então, encorajar a retomada do diálogo entre a Índia e o Paquistão, indicaram hoje altos funcionários norte-americanos, acrescentando que novas conversações poderão demorar vários meses por causa da falta de confiança entre Nova Délhi e Islamabad e por causa da mobilização pelas eleições indianas, que se realizarão em setembro.
Ainda nesta segunda-feira, um comandante da Força Aérea indiana, marechal Vinod Patney, revelou que estava preparado para uma guerra total logo após o início dos ataques contra as posições dos rebeldes muçulmanos. Patney disse à imprensa que durante a operação de 49 dias, cerca de 550 missões de ataque, 150 missões de reconhecimento e 500 de escolta a vôos foram realizadas, e acrescentou que apenas 25% das forças do comando foram usadas na operação.





