Nova Délhi, 26 (AE-AP) - A Índia lançou nesta quarta-feira (26) dois ataques aéreos contra seu lado da dividida Caxemira para tentar expulsar guerrilheiros separatistas infiltrados, aumentando a tensão no subcontinente nuclearmente armado.
É a primeira vez que a Índia usa seu poderio aéreo na Caxemira e Nova Délhi advertiu o vizinho e rival Paquistão a não interferir. "Qualquer intensificação do conflito será de inteira responsabilidade do Paquistão", indicou uma declaração do governo indiano.
No entanto, o Exército paquistanês indicou que os ataques aéreos sobre o disputado território "são muito sérios" e se reservava o direito de responder da forma que considerasse apropriada.
"Várias bombas caíram do nosso lado da linha de controle. Isso torna o problema muito sério", disse o porta-voz do Exército, o brigadeiro Rashid Qureshi, em entrevista coletiva.
O governo indiano negou que alguma de suas bombas tenha caído no lado paquistanês da Caxemira. Mas a artilharia paquistanesa disparou uma bomba contra um acampamento militar indiano ferindo vários soldados. A Índia retaliou com intenso disparo de artilharia e fortes explosões foram ouvidas no vale himalaio. Outras duas bombas paquistanesas foram lançadas contra uma estrada - uma atingiu um caminhão do Exército indiano e outra deixou uma grande cratera.
O Exército do Paquistão suspeita que a Índia queira anexar uma parte do território paquistanês na região de Kargil. Nos últimos 17 dias a Índia enviou para a região aviões, helicópteros artilhados e cerca de 12.000 soldados.
Em Nova Délhi, o Ministério da Defesa indicou em uma declaração que as operações militares "seguirão até que nossas forças recuperem nossos territórios". O governo indiano assegura que os 600 guerrilheiros separatistas que se infiltraram em Jammu-Caxemira pela fronteira do Paquistão "consistem em um elevado número de mercenários bem treinados. Não somente contam com o apoio direto do Exército paquistanês, como acredita-se que efetivos do Exército também façam parte do grupo", indicou uma declaração do governo.
O Exército paquistanês, por sua vez, desmentiu ter enviado tropas ao território indiano. O brigadeiro Rashid Quereshi questionou o fato de a Índia ter mobilizado 12.000 soldados para combater apenas 600 guerrilheiros infiltrados.
Os dois ataques aéreos contra os guerrilheiros muçulmanos que se infiltraram nas regiões de Kargil, Batalik, Drass e Moshka, foram realizados por aviões MiG 23 e Jaguar indianos, apoiados por helicópteros Mi-17. Uma fonte militar informou que a ofensiva deixou várias vítimas, sem dar o número de mortos e feridos. O acesso de veículos civis a Drass foi interrompido. Somente ambulâncias militares podiam entrar na região.
A aviação indiana assumiu o controle do aeroporto de Srinagar, capital de verão de Jammu-Caxemira, onde todos os vôos civis foram cancelados. Os habitantes informaram que a cidade, sobrevoada pelos aviões indianos, estava em pânico, temendo uma nova guerra entre Índia e Paquistão, que há 50 anos disputam a Caxemira.
Em Washington, os Departamento de Estado norte-americano pediu que Índia e Paquistão "resolvam suas diferenças" e parem com as tensões pela província disputada. "O último combate sublinha a necessidade de que a Índia e o Paquistão resolvam suas diferenças", dizia um comunicado do departamento.
Os dois países travaram duas guerras pelo território desde sua independência da Grã-Bretanha, em 1947. A população da Caxemira, situada na região do Himalaia entre a Índia e o Paquistão, é 90% constituída por muçulmanos e o restante por budistas, sikhs e hindus. Dois terços da região, de 222 mil quilômetros, pertence à Índia - o Estado de Jammu-Caxemira. O outro um terço do território é do Paquistão, a região de LAzad-Caxemira.
Os dois países causaram o temor de uma corrida armamentista na ásia há um ano depois de terem realizado vários testes nucleares. Em fevereiro a Índia e o Paquistão haviam assinado a Declaração de Lahore, que apontava para a solução da disputa pela Caxemira.

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