Índia pressiona guerrilheiros com novos ataques
Nova Délhi, 07 (AE-AP) - A Índia pressionou os guerrilheiros separatistas que invadiram seu território na Caxemira com novos ataques nesta quarta-feira (07) e rejeitou a sugestão do Paquistão de que de seu recuo poderia depender o progresso sobre o fim da disputa de 52 anos sobre a região himalaia.
O primeiro-ministro da Índia, Atal Behari Vajpayee, disse hoje que os ataques aéreos e terrestres contra as posições de centenas de rebeldes muçulmanos no lado indiano da linha de controle militar, que divide a Caxemira, continuará até que eles retrocedam.
O chanceler paquistanês, Sartaj Aziz, disse em Islamabad que se os guerrilheiros na Caxemira indiana obtiveram progressos na disputa - a causa de duas das três guerras entre a Índia e o Paquistão desde sua independência da Grã-Bretanha, em 1947 -, então, eles poderão partir.
"Caso contrário eles têm o direito de fazer o que quiserem porque vêm lutando nos 10 últimos anos e vão continuar de uma forma ou de outra, até que a questão da Caxemira seja resolvida", disse Aziz.
Em uma entrevista ao jornal francês Le Figaro Aziz disse que é hora de a Índia e o Paquistão iniciarem negociações para reduzir as tensões sobre a Caxemira. Segundo Aziz, as tensões já atingiram seu ponto máximo. Ele disse que seu país pode apertar o botão nuclear se sua soberania for ameaçada, mas acredita que o atual conflito não levará a uma guerra nuclear entre os dois países vizinhos.
Para a Índia, a retirada dos invasores não pode ser condicionada ao progresso de negociações para uma disputa ainda mais ampla sobre a Caxemira. "Rejeitamos essa ligação completamente, disse Raminder Singh Jassal, porta-voz da chancelaria indiana. "Os invasores do nosso lado da linha de controle são essencialmente soldados paquistaneses. Essas declarações são enganosas."
Um acordo acertado domingo em Washington entre o primeiro-ministro paquistanês Nawaz Sharif e o presidente norte-americano Bill Clinton aparentemente prevê a retirada dos infiltrados. A Índia assegura que soldados paquistaneses também invadiram o território indiano em apoio aos guerrilheiros, mas Islamabad reitera que os militantes são guerrilheiros que lutam contra o controle da Caxemira.
Os guerrilheiros reiteraram nesta quarta-feira que prosseguirão em sua luta pela Caxemira "até a última gota sangue" e rejeitaram o acordo acertado entre o Paquistão e os Estados Unidos exortando sua retirada. "Não há comprisso. Não haverá trégua", disse Sayed Salahuddin, líder da Conselho Unido da Jihad, uma aliança formada entre 15 grupos muçulmanos que combatem na Caxemira.
"Nossa luta na região de Kargil e Drass prosseguirá até a última gota de nosso sangue. Não deixaremos nossas posições", disse Salahuddin, ameaçando capturar outros territórios em Jammu-Caxemira.
O primeiro-ministro indiano, por sua vez, declarou que seu país não dará trégua aos rebeldes separatistas. Referindo-se ao compromisso de retirada dos invasores de Jammu-Caxemira assumido por Sharif, Vajpayee disse que Nova Délhi espera ver fatos concretos. O porta-voz do Exército indiano, coronel Bikram Singh
disse à imprensa hoje que suas tropas recapturaram a estratégica Colina de Jubar, em Batalik, após uma noite de intensos combates.





