Índia divulga diretrizes de sua doutrina nuclear
Nova Délhi, 17 (AE-ANSA) - A Índia deu um novo passo em sua condição de potência nuclear ao anunciar nesta terça-feira (17) os pontos principais de sua doutrina, que irá determinar "o desenvolvimento e o emprego" de seu arsenal atômico. A doutrina, elaborada pela Junta Assessora de Segurança Nacional, composta por 27 cientistas e especialistas, está baseada na renúncia do primeiro ataque nuclear e na "credibilidade" da dissuasão, assegurada por uma "diversificação dos tipos de armas" e de ogivas. "A posição da Índia em tempo de paz será direcionada em convencer os agressores em potencial que qualquer ameaça de uso de armas nucleares contra nosso país dará lugar a medidas que façam frente as mesmas", diz o documento. O texto acrescenta que a Índia não usará armas nucleares contra uma nação que não conte com tal tecnologia e nem seja aliada a uma potência nuclear. A Índia demonstrou sua capacidade de armar-se com artefatos nucleares em maio de 1998, quando realizou cinco testes subterrâneos em Pokharan, deserto de Rajasthan. O Paquistão, velho rival de Nova Délhi, respondeu poucos dias depois com seis testes semelhantes. O documento afirma que a Índia "não aceitará nenhuma limitação a sua capacidade de pesquisa". No entanto, Brijesh Mishra, o influente conselheiro do primeiro-ministro Atal Bihari Vajpayee para a segurança, disse que isso não "está em contradição" com uma eventual adesão ao Tratado para a Proibição de Provas Nucleares. Invocando "razões de segurança", Mishra não forneceu detalhes sobre a estrutura de comando e controle do arsenal nuclear, limitando-se a confirmar que está em mãos de civis e será dirigida pelo primeiro-ministro e por seus "sucessores designados".





