Brasília - Uma índia da etnia Xavante de 16 anos morreu ontem com suspeita de violência sexual e empalamento. Segundo o delegado da Polícia Civil responsável pelo caso, Antônio José Rameiro, as primeiras informações do IML (Instituto Médico Legal) apontam perfuração por via anal feita por instrumento não-identificado de cerca de 40 cm.
  A índia tinha lesão neurológica grave, segundo a Funasa (Fundação Nacional da Saúde), e não andava nem falava. Segundo nota da Funasa, a índia estava acompanhada pela mãe, Carmelita, e pela tia, Maria Imaculada Xavante. O delegado disse que também estavam em Brasília duas outras filhas de Carmelita.
  Rameiro afirmou que a violência ocorreu provavelmente na Casa de Apoio à Saúde Indígena, estrutura da Funasa, onde a índia estava hospedada, acompanhada da mãe. A casa recebe índios para tratamento na rede pública de saúde no Distrito Federal e oferece equipe de enfermagem, medicamentos e transporte.
  A índia é da aldeia São Pedro, localizada no município de Campinápolis, no Mato Grosso, e estava no Gama, cidade-satélite do Distrito Federal, para tratamento na rede Sarah Kubitschek desde o dia 28 de maio.
  O delegado disse que não sabe quem foi o responsável pela agressão sexual ‘‘atípica’’. O instrumento entrou pelo ânus da adolescente, segundo ele, e perfurou baço, reto, estômago e diafragma, causando infecção. Também há lesões na vagina da índia, o que pode sugerir ato sexual. Material foi colhido para exame.
  Ainda segundo o delegado, a violência pode ter ocorrido entre 24 e 48 horas após a entrada da índia no hospital. Ela chegou ao Hospital Universitário de Brasília às 8h da última quarta-feira, segundo a Funasa, entrou no centro-cirúrgico em seguida e morreu ao meio-dia, depois de duas paradas cárdio-respiratórias.
  A menina se queixou de dores abdominais na madrugada de terça-feira na casa de apoio aos índios, onde foi atendida inicialmente pela equipe médica do local. Como o quadro piorou, foi feita a transferência para o Hospital Universitário de Brasília.
  Por meio de nota, a Funasa informou que, no momento da queixa, havia 56 pessoas no local -índios em sua maioria. A instituição também disse que, no local, há vigilância 24 horas. A responsabilidade pelo local é da Funasa, autarquia do Ministério da Saúde. A mãe da menina, segundo disse o delegado, negou que tenha sido responsável pela violência e disse ainda que não houve violência alguma contra sua filha. ‘‘Conversei com parentes, eles não admitiram violência, dizem que não houve nada’’, afirmou Rameiro.
  O caso será investigado pela Polícia Civil.

mockup