Índia aceita negociar com Paquistão; ataques aéreos continuam
Nova Délhi, 31 (AE-AP) - A Índia aceitou nesta segunda-feira (31) manter conversações com o Paquistão sobre a paz na Caxemira
enquanto suas forças bombardeavam pelo sexto dia os guerrilheiros muçulmanos que se infiltraram nessa região, onde, segundo o primeiro-ministro indiano, Atal Behari Vajpayee, reina uma situação de guerra.
Entretanto, aumenta a preocupação em torno da disputa, pois tanto a Índia quanto o Paquistão são potênciais nucleares e o governo paquistanês informou que está disposto a usar "qualquer arma" para defender seu território.
Os combates, os mais importantes na Caxemira desde a última guerra entre o Paquistão e a Índia, em 1971, prosseguiam hoje enquanto Nova Délhi continuava acusando Islamabad de apoiar os rebeldes separatistas que conquistaram várias posições estratégicas na região himalaia.
Na manhã desta segunda-feira, seis pessoas morreram e várias ficaram feridas quando um projétil da artilharia indiana atingiu um prédio governamental no lado paquistanês de Kargil. Aviões MiG-27, MiG-21 e helicópteros Mi-17 começaram a bombardear posições rebeldes logo ao amanhecer e tropas de reforço foram mobilizadas para o território.
Segundo funcionários de Defesa de Jammu, capital de inverno do Estado indiano de Jammu-Caxemira, os ataques foram precedidos por missões de reconhecimento noturnas. Eles acrescentaram que houve novos disparos de morteiros desde o Paquistão aos setores de Batalik, Dah-Hanu e Davar, no lado indiano da Caxemira.
Um intenso combate ocorreu no setor oriental da região. Vários jornalistas que tentavam chegar a Batalik foram bloqueados por soldados em um posto de controle. Perto da região de Drass, um comandante militar disse que seus soldados estavam a cerca de 50 metros dos guerrilheiros.
O primeiro-ministro indiano, que rejeitou uma oferta de mediação das Nações Unidas, aceitou a proposta de seu homólogo paquistanês, Nawaz Sharif, de enviar a Nova Délhi seu ministro de Relações Exteriores, Sartaj Aziz, para tentar reduzir a tensão. A data do encontro ainda não foi fixada e o governo indiano destacou que deverão ser discutidos os combates atuais e não a raiz do problema da Caxemira.
Vajpayee disse que, apesar das negociações diplomáticas, sua prioridade é expulsar os guerrilheiros separatistas que se infiltraram no território indiano. Segundo a Índia, cerca de 600 rebeldes, entre eles mercenários afegãos e soldados paquistaneses, entraram na parte indiana da Caxemira apoiados por disparos da artilharia paquistanesa contra as altas montanhas que dominam a estrada estratégica de Srinagar-Leh, a cerca de 5.000 metros de altitude.
O governo indiano exigiu hoje a libertação imediata do piloto de um de seus caças abatidos na semana passada pelas forças paquistanesas. Islamabad desmentiu as acusações da Índia de que o outro piloto, cujo corpo foi devolvido na semana passada ao governo indiano, tenha sido morto a tiros.
A Índia e o Paquistão, que realizaram testes nucleares no ano passado, travaram três guerras desde sua independência da Grã-Bretanha, em 1947, duas delas por causa da Caxemira. Dois terços da região, de maioria muçulmana, estão sob controle da Índia, de maioria hindu.





