Paris, 16 (AE) - A Índia contava com 342 milhões de habitantes em 1947, quando se tornou independente. Hoje, ela ultrapassou o número fatídico de um bilhão, o que a aproxima da China (1.27 bilhão de habitantes), que ela deverá superar dentro de alguns anos. Em 1999, o Brasil tem 168 milhões de habitantes e deverá ter 218 milhões em 2025.
Na Índia, quando uma mulher se casa, as pessoas lhe desejam que se torne "mãe de mil filhos". Prece verdadeiramente perigosa que, infelizmente, os deuses complicados deste imenso país atenderam há 50 anos. Cumpre observar que a súplica feita pela jovem esposa fala apenas de filhos - não de filhas. Alguns verão nisso um sinal de machismo. Mas outros invocam regras religiosas para explicar isso. De fato, na Índia, apenas o filho homem tem o direito de acender a pira funerária do pai. Uma família que tivesse apenas filhas ficaria muito embaraçada para atear fogo ao pai falecido.
É contra esta mentalidade que entram em conflito os programas de limitação da natalidade lançados há muito tempo pelo partido dominante, o Partido do Congresso. Houve até um momento, em 1975, em que Indira Gandhi, enervada com tantos bebês, promoveu uma ação dura: cinco milhões de indianos foram esterilizados. A população ficou traumatizada. A partir de então, os governos de Nova Délhi hesitam em adotar medidas mais radicais.
Na verdade, o crescimento da população não é tanto um sinal do fracasso do controle da natalidade, mas sim da melhoria das condições econômicas e higiênicas há 50 anos. Enquanto, durante o domínio da Inglaterra, uma família tinha seis a sete filhos, hoje não tem mais do que dois a quatro. Mas, como a fome desapareceu e a assistência médica fez imensos progressos, caiu a mortalidade, sobretudo a infantil.
Resultado: um bilhão de indianos. (No século 17, a poderosa Inglaterra contava com cinco milhões de habitantes...) Alguns políticos locais não estão absolutamente incomodados com este progresso demográfico. Contam com o número para merecer a condição de "grande potência" e suplantar a China e o Paquistão (dois outros mamutes populacionais).
É verdade que, em outros tempos, a Europa mostrou o caminho: há menos de um século, as mulheres alemãs e francesas eram estimuladas por seus governos a gerarem um montão de filhos a fim de ultrapassar o país inimigo. Isso já era então uma coisa duvidosa. Mas torna-se verdadeiramente absurda quando se trata de populações próximas da marca de um bilhão. E mais ainda porque que o grande número de cidadãos não traz consigo paralelamente a potência real de um país.
Ao contrário, pois a Índia possui 300 milhões de miseráveis (um real por dia...) Se, após a independência, surgiu uma classe média numerosa e brilhante, em contrapartida Nova Délhi nada fez por seus pobres.
Um entre cada dois indianos não sabe ler nem escrever. As escolas primárias são deploráveis. Nas pequenas fábricas, um operário cessará o trabalho se tiver de ler uma instrução de montagem...
Para frear ainda mais o crescimento perigoso, seria preciso destinar enormes quantias à educação das filhas, à higiene, etc... Ora, a Índia é como a maioria dos países. Consagra neste momento 1.7% de seu orçamento à Saúde, mas 2,5% desse mesmo orçamento à Defesa ( números fornecidos pelo WorldWatch Institute). E o conflito perpétuo com o Paquistão muçulmano, agravado neste momento pelas perturbações "islâmicas" em Caxemira, deverá permitir ao governo indiano decretar um novo aumento do orçamento militar. De tal sorte que, se sobrevier a desgraça, a esta explosão demográfica de hoje se poderia acrescentar outra explosão - eventualmente a explosão atômica, pois estes dois países miseráveis possuem ambos a arma nuclear.

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