Indenização a ex-presos políticos é contestada
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sexta-feira, 01 de junho de 2001
Marcos ZanattaDe Maringá 
O advogado Wilson Quinteiro, de Maringá, que defende tese sobre o pagamento de indenização a ex-presos políticos, pretende contestar o valor proposto pela Medida Provisória (MP) assinada anteontem pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. A MP atende à proposta apresentada no ano passado por Quinteiro, que pede o fim da prescrição dos direitos das pessoas que sofreram perseguição política durante o regime militar. A MP atende nossas propostas, mas com um valor de indenização fora da realidade, observa.
Pela decisão do governo, os ex-presos políticos podem receber até 30 salários mínimos por ano que deixaram de exercer atividades devido à perseguição, prisão ou exílio. A maioria das pessoas que tem direito à indenização, segundo Quinteiro, ficou de um a dois anos fora da rotina por causa do regime militar. O valor seria muito baixo em relação às sequelas que estas pessoas carregam, afirma. Ele calcula que, se for levado em conta as consequências da perseguição, cada ex-preso tem direito a no mínimo R$ 100 mil.
Junto com as entidades que defendem os direitos dos ex-presos políticos, o advogado de Maringá deve o Ministério da Justiça para tentar rever os valores estabelecidos pela MP. Outro erro que vamos contestar é a anistia aos militares que praticaram tortura e perseguição, diz Quinteiro. Ele lembra que hoje a tendência internacional é a punição a todos os envolvidos em crimes contra a pessoa. Não podemos ir contra a humanidade. A MP concedeu anistia política a cerca de 2.500 militares punidos por infrações disciplinares.


