Indefinido o futuro dos moradores
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sábado, 21 de março de 1998
Agência Folha 
Arquivo FolhaFimDepois de uma semana e depois de novo desabamento, o Palace 2 foi implodido. Construtora não acena com solução para desabrigados Um mês após o desabamento do Palace 2, em 22 de fevereiro, e a interdição do Palace 1, continua indefinida a situação das 280 famílias que moravam nesses prédios. A construtora Sersan ainda não começou a pagar as indenizações aos moradores do Palace 2 e só renovou por mais uma semana a estada deles em hotéis da cidade.
As famílias do Palace 1 não receberam proposta de hospedagem da construtora e estão em apart-hotéis pagos pela prefeitura. O Palace 1 está interditado por apresentar problemas estruturais semelhantes aos que foram encontrados no Palace 2, que tinha 22 andares e desabou parcialmente no domingo de Carnaval, provocando a morte de oito pessoas. Seis dias depois, após outro desabamento parcial, o prédio foi implodido com tudo dentro.
Rauliete Barbosa Guedes, presidente da Associação das Vítimas do Palace, disse que os moradores estão sem expectativas quanto aos acordos propostos pela construtora. A esperança, para ela, é a ação civil que o Ministério Público move contra a Sersan.
A assessoria dos advogados da construtora informou que, até sexta-feira, 90 famílias haviam preenchido formulários com o valor dos bens perdidos. Indenizações por danos morais serão estudadas caso a caso. A associação não concorda e considera um risco muito grande a condição exigida pelo deputado Sérgio Naya (sem partido-MG), dono da Sersan, para o pagamento das indenizações.
Naya, que pode ter seu mandato cassado pela Câmara dos Deputados sob a acusação de falta de decoro parlamentar, quer o desbloqueio de suas contas bancárias e bens, determinado pela Justiça. O procurador Elio Fishberg disse que a liberação pode ser feita se ele pagar as indenizações.
Peritos que fazem o laudo criminal sobre as causas do acidente acharam, semana passada, pedaços de madeira, plástico e papel misturados ao concreto do prédio. Também estariam faltando ganchos na armadura dos pilares que constavam da planta.
A Sersan alega que o erro está no cálculo estrutural. O engenheiro que fez o cálculo, José Roberto Chendes, disse que a falha apontada pela Sersan não causaria o desabamento. Para o perito Hugo Campos, somente uma série de erros derrubaria o prédio. O laudo criminal deve estar pronto em 10 dias.


