São Paulo, 7 (AE) - O mercado de veículos apresentou grande retração nos últimos dois dias em São Paulo. O anúncio do reajuste e as notícias da retomada das negociações entre governo e montadoras para a manutenção do acordo que reduziu impostos e os preços espantaram o consumidor das lojas.
O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), José Carlos Pinheiro Neto, reafirmou hoje, contudo, que o setor não tem intenção de rever os aumentos que chegam a 12% e já estão em vigor.
Segundo ele, o mais provável é que os preços atuais sejam mantidos, caso o governo aceite prorrogar a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Do contrário, o que deve ocorrer é um novo reajuste até o fim deste mês.
Na concessionária Trans-Am as vendas diminuíram de 21 unidades na terça-feira (dia do anúncio do aumento) para três unidades hoje. O número de consultas por telefone baixou de uma média diária de 80 para 18. Os negócios também caíram nas revendas Pompéia, Eufrasio, Primo Rossi e Sandrecar.
Acordo - Pinheiro Neto confirmou para terça-feira, em São Paulo, uma reunião com o secretário do Ministério do Desenvolvimento, Helio Mattar e representantes dos trabalhadores e dos revendedores para a retomada das discussões sobre a prorrogação do acordo de emergência para um período de 60 a 90 dias.
"As montadoras vão entregar todos os dados necessários para a empresa que fará a auditoria", disse. "Vamos mostrar que o governo não está reduzindo impostos para engordar a margem de lucro", afirmou.
Pinheiro Neto disse, ainda, que a redução de juros anunciada hoje pelo governo é um bom sinal para o setor. Hoje, somente 30% das vendas de automóveis são financiadas, enquanto 70% são à vista para escapar dos altos juros. Essa participação já foi inversa.
Aumentos - Embora os carros populares tenham recebido os menores índices de reajustes na terça-feira, os aumentos nos preços desses produtos, na prática, chegaram a 12,1%, caso, por exemplo, do Gol Special, que custava na tabela R$ 11.524 e passou para R$ 12.919.
Além do aumento por conta de custos em decorrência da defasagem cambial, as montadoras suspenderam os bônus que vinham dando desde o início do acordo.
Para o Corsa Wind, o aumento ficou em 11,1%, com o preço subindo de R$ 11.240 para R$ 12.494. O Ka também ficou 11% mais caro (de R$ 11.019 para R$ 12.233) e o Fiesta, 10,9% (R$ 11.492 para R$ 12.752). O Palio EX teve aumento de 9% (de R$ 11.704 para R$ 12.769).
Já o mercado de caminhões em abril apresentou alteração no ranking de vendas. Pela primeira a Ford desbancou a liderança da Mercedes-Benz com a venda de 1.092 unidades no varejo ante 1.051 da concorrente.

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