Indecisão faz barril de petróleo subir a US$ 322/Mar, 22:15 Nova York, 02 (AE-AP) - A tão esperada reunião de três grandes exportadores de petróleo - México, Arábia Saudita e Venezuela -, em Londres, terminou hoje (02) com uma declaração consensual de que é preciso aumentar a produção para controlar a volatilidade dos preços e assegurar o crescimento econômico global. Mas, na ausência de um cronograma detalhado e da magnitude da ampliação da oferta, o mercado simplesmente ignorou os resultados do encontro e assistiu a mais um dia de alta na cotação do produto. O barril do tipo leve chegou a ser negociado por US$ 32,15 na New York Mercantile Exchange, em Nova York, maior preço desde janeiro de 1991, mas acabou estabilizado em US$ 31,69 no fim do dia. No mercado londrino, o barril do produto do tipo Brent saltou para US$ 29,43, antes de recuar para US$ 29,22 no fechamento. Para analistas como Peter Gignoux, chefe do setor de petróleo da Salomon Smith Barney, em Londres, ouvido pela Associated Press, "o mercado não quer promessas, quer apenas ver os barris de petróleo, pois sem eles não há possibilidade de queda nos preços". Na avaliação do mercado, para que as cotações recuem aos níveis de US$ 20 ou US$ 22 o barril seria preciso que os produtores elevassem a oferta em cerca de 9%, o que representa um aumento de 2,5 milhões de barris ao dia em relação à oferta atual. Os ministros de Energia e Petróleo reunidos em Londres não assumiram nenhum compromisso formal. O porta-voz do grupo, Ali al-Naimi, da Arábia Saudita fez apenas uma promessa vaga de que os ministros ali reunidos vão defender a tese de ampliação da oferta na reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) no dia 27 de março, em Viena, quando então seriam anunciados o cronograma e as quantidades. A expectativa dos Estados Unidos era de que os ministros aceitassem aumentar a oferta em 1,2 milhão de barris por dia a partir de abril e levassem em conta a possibilidade de fornecer, rapidamente, mais 500 mil barris por dia caso isso fosse necessário. A única manifestação mais clara de que a disparada nos preços pode ser contida no curto prazo foi uma declaração do ministro do México, Luis Téllez, que admitiu a hipótese de seu país, a exemplo da Noruega, ampliar unilateralmente a oferta de petróleo independentemente da decisão tomada pelo cartel. "Precisamos obter um consenso em torno do restabelecimento da ordem no mercado, mas o México poderá seguir a melhor política para si e para a economia mundial", afirmou. Para tentar calar as críticas dos parlamentares contra a suposta inércia do governo em relação aos sucessivos aumentos dos combustíveis nos EUA, o presidente Bill Clinton reuniu-se hoje com políticos para detalhar os esforços de sua equipe. O porta-voz da Casa Branca, Joe Lockhart, disse que Clinton elogiou os ministros dos países produtores - com quem seu secretário de Energia, Bill Richardson, se reuniu - e disse que todos admitiram que a volatilidade dos preços é prejudicial. A questão central para o governo norte-americano, porém, é o fato de que os estoques de gasolina do país estão muito reduzidos e podem esgotar-se antes do início do verão, época de pico da demanda pelo combustível, quando muitos norte-americanos tiram o carro da garagem para viajar pelo país. Se não houver um aumento da oferta de gasolina antes de junho, é provável que os preços - em média US$ 1,35 o galão (3,785 litros), amanhã - cheguem a US$ 2 o galão. A greve nas refinarias venezuelanas também não contribui em nada para acalmar o mercado de derivados, já que a Venezuela é um dos mais importantes fornecedores de combustíveis para os Estados Unidos. O governo do presidente Hugo Chavez, porém, assumiu no fim da tarde de hoje o compromisso de manter a oferta, apesar da greve. "É importante para a imagem do país, pois estaremos demonstrando que somos um país sério", afirmou Chavez.