Indecisão custou presidência a Mahuad, diz general.
Quito, 24 (AE-AP) - A indecisão custou o cargo ao deposto presidente equatoriano Jamil Mahuad, afirmou o general Carlos Mendoza, membro do breve triunvirato civil-militar que derrubou o chefe de Estado.
Agora em traje civil, retirado do Exército depois de 38 anos de serviço, o ex-ministro da Defesa Mendoza afirmou sentir-se satisfeito pelo papel desempenhado por ele na crise que levou à derrocada de Mahuad em 21 de janeiro.
Mendoza não se sente um traidor. "Para mim, a maior traição seria dividir as Forças Armadas, dissolver o país... isso se chama traição", disse ele ontem à noite em entrevista à Associated Press.
Mahuad é um "homem inteligente, mas lhe faltou decisão", disse Mendoza. Ele recordou que na quinta-feira, em meio à tensão pelas manifestações indígenas que pediam a renúncia de Mahuad, conversara com o presidente na sede do governo. Mendoza afirmou ter apresentado a Mahuad várias propostas para abafar a crise.
Diante das propostas, Mahuad "golpeou a mesa". "Então, disse a ele: você não pode golpear a mesa. Você está aqui diante do comando militar. Você está equivocado em sua forma de agir. E não se desculpou quando dissemos isso", acrescentou Mendoza.
Segundo o general, os militares estavam tão preocupados como o resto dos equatorianos pela aguda crise econômica, traduzida por uma inflação de 60% e uma desvalorização do sucre de 30% apenas na primeira semana de janeiro.
Mendoza disse que diante da intransigência de Mahuad iniciou o processo de negociação com os líderes indígenas e coronéis para a instalação de um novo governo.
A princípio, foi criada uma junta. Posteriormente, diante do rechaço internacional à intentona, o corpo foi dissolvido, assumindo a presidência o vice-presidente Gustavo Noboa.





