Sem prevenção e sem cura. Na endometriose, só os sintomas podem ser tratados. E nem sempre é possível aliviar as dores e a infertilidade.
Segundo o médico ginecologista Ricardo Mendes Alves Pereira, de Londrina, é possível fazer dois tipos de tratamento, medicamentoso e cirúrgico.
No medicamentoso, o tratamento é essencialmente simular com hormônios ou uma gravidez, ou uma menopausa. Funciona assim: o cérebro comanda o hipotálamo, que estimula a hipófise a formar os hormônios estrógeno e progesterona. Hormônios estes que regem o ciclo menstrual.
A ação pode ser tanto um bloqueio na hipófise, quanto no ovário, ou no útero, para não haver menstrução todo mês e os sintomas incômodos. Isso é feito com medicamentos que bloqueiam a hipófise e o ovário, implantes de progesterona, ou pílulas anticoncepcionais e Dispositivo Intra-Uterino (DIU), que contém progesterona. ''Mas tudo isso é temporário. Na maioria das vezes, quando a mulher fala que 'voltou' a doença, na verdade ela persistiu'', ressalta.
Já a cirurgia é feita para tirar a lesão, normalmente por videolaparoscopia, uma técnica minimamente invasiva. Mesmo assim sua complexidade depende da forma, do tamanho e da localização da lesão. ''Pode tanto ser uma cirurgia simples, quanto uma das mais complexas'', alerta o médico.
Por isso riscos e benefícios devem ser pesados para optar por uma cirurgia. ''Nas formas mais leves, o tratamento causa uma infertilidade temporária, porque é feito com métodos contraceptivos. Vale a pena tratar? Nem sempre. É preciso que os benefícios superem os riscos'', aponta Pereira. Ele afirma que pode ocorrer a cura se todas as lesões forem retiradas na cirurgia. ''Este é o grande desafio em relação à esta patologia. Na maioria dos casos, acredito em cura'', afirma.
Um trabalho de Pereira, publicado em 2002 na Associação Americana de Medicina Reprodutiva, mostra que a cirurgia alivia os sintomas em 90% dos casos e tem resultado positivo para a infertilidade em 50% dos casos.
Segundo o ginecologista, resta às mulheres que não têm os problemas resolvidos nem com medicamentos, nem com a cirurgia, procurar a medicina reprodutiva para ter um filho. E mesmo assim, lutar contra uma taxa menor que 30% de sucesso para a fertilização in vitro.(C.P.)

mockup