Curitiba - O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) vai fazer seleção das famílias que serão assentadas na Fazenda Araupel, em Quedas do Iguaçu (165 quilômetros a leste de Cascavel). Na semana passada, a área foi invadida por cerca de 170 famílias que reivindicam um pedaço de terra. Os integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) acampados no local já são mais de 1,7 mil. O Incra vai assentar apenas 1.580 famílias na primeira fase, que deve ser concretizada até o final do ano.
O governo federal anunciou a compra da Fazenda Araupel para reforma agrária há quase um mês, mas o negócio ainda não foi formalizado. A área adquirida tem 25 mil hectares, pelos quais serão pagos R$ 132 mil. O valor da terra nua e da área de reflorestamento (R$ 70 mil) serão pagos à vista. O restante, em Títulos da Dívida Agrária (TDA's).
As famílias que invadiram a fazenda na semana passada dizem que têm direito sobre a terra. ''Mandaram a gente esperar até que nos chamassem, mas anunciaram a compra da fazenda e nada aconteceu'', disse Jurandir da Silva, representante das famílias. Ele esteve ontem em Curitiba porque queria discutir o assunto com o superintendente do Incra no Paraná, Celso Lisboa. Mas não houve reunião. Lisboa disse que os detalhes do assentamento só serão discutidos depois do governo federal comprar a fazenda.
''O Incra não vai abrir mão de fazer a seleção das famílias. Claro que as que estão na terra têm prioridade'', disse Lisboa. O Incra recebeu informações de que outros grupos de famílias iriam invadir o local. ''Ainda é uma área de conflito, mas a primeira preocupação é concretizar a compra da fazenda'', acrescentou. Não foi possível fazer contato com os representantes do MST na região.
A Araupel entrou ontem com pedido de reintegração de posse da área invadida recentemente. A empresa tem outras ações judiciais contra o governo do Paraná por causa das sucessivas invasões que sofreu na fazenda desde 1996. Uma delas está no Supremo Tribunal Federal (STF) e pede indenização por causa dos prejuízos que teriam sido causados. O Estado seria responsabilizado porque não cumpriu os mandados de reintegração de posse. O valor da possível indenização não foi divulgado porque depende da análise judicial.
O advogado da Araupel, Paulo Macarini, disse que a empresa quer formalizar o acordo da fazenda com o governo federal e receber o dinheiro e os TDA's. ''Depois de pacificadas essas questões, incluindo as invasões recentes que sofremos, o Conselho de Administração vai decidir sobre as ações judiciais contra o Paraná'', explicou.

mockup