Incra vai cadastrar acampados em estradas
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quinta-feira, 22 de julho de 2004
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) que estão acampados nas beiras das estradas, em centros comunitários e em acampamentos provisórios no interior do Paraná vão ser cadastrados pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Atualmente, apenas são identificados os sem-terra que estão nas chamadas ocupações históricas. São 15 mil famílias que estão aguardando oficialmente um assentamento no Paraná. O MST calcula que outras 3 mil estariam nos acampamentos identificados como ''emergenciais''.
''Essas famílias são prioritárias. Elas precisam ser retiradas desses locais que não apresentam qualquer tipo de estrutura para plantio ou subsistência'', afirmou ontem um dos coordenadores estaduais do MST, José Damasceno. O cadastramento dessas famílias foi garantido durante reunião realizada com o superintendente estadual do Incra, Celso Lisboa de Lacerda. Os trabalhadores rurais apresentaram ainda a necessidade de agilização da reforma agrária. A promessa do governo federal era a de assentar neste ano 115 mil famílias de sem-terra. Deste total, 20% seriam do Paraná.
Lacerda admitiu a meta paranaense de assentar 3 mil famílias em 2004. De acordo com ele, até hoje foram assentadas 1.030 famílias. Outras 670 seriam assentadas nos próximos dias em duas áreas que ficam nos municípios de Luiziana (30 quilômetros ao sul de Campo Mourão) e Renascença (15 quilômetros a leste de Francisco Beltrão). O superintendente do Incra acredita que possa cumprir a meta nacional no Paraná com os assentamentos previstos nas fazendas Araupel e Corumbataí, duas áreas em fase final de negociação e que poderiam abrigar cerca de 2,5 mil famílias.
''Estamos em processo de documentação em Brasília. As áreas são grandes e estão cotadas por valores elevados. O Conselho Diretor do Incra em Brasília é que pode aprovar esta compra para fazermos os assentamentos'', afirmou Lacerda. Ele aguarda ainda uma decisão do Tribunal Regional Federal (TRF) de Porto Alegre que analisa nove áreas consideradas improdutivas pelo Incra e que tiveram ações contrárias movidas pelos proprietários rurais. Essas áreas são estimadas em 12 mil hectares, suficiente para assentar mais de mil famílias.
Outro ponto levantado foi com relação à assistência técnica. Lacerda garantiu que foram encaminhados 60 técnicos para os assentamentos no ano passado e esse número teria sido aumentado para 150 técnicos em várias especialidades (de agrônomos a veterinários). Quanto à infra-estrutura, Lacerda disponibilizou este ano através do Incra cerca de R$ 1,4 milhão para a construção de estradas, água e energia elétrica. Outros R$ 2,6 milhões deverão ser liberados até o final do ano.


