Incra tenta conter crise no Norte do PR
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quinta-feira, 06 de fevereiro de 1997
Edmara Michetti e Agência Folha 
Warren NabucoApaziguando ânimosMaria de Oliveira passou o dia entre reuniões com fazendeiros e sem-terraA superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária no Paraná (Incra/PR), Maria de Oliveira, esteve ontem em Londrina, apaziguando ânimos de fazendeiros e sem-terra da região. A visita da superintendente foi motivada pelo anúncio de que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) estaria organizando o maior acampamento da América Latina na região de Londrina e também pela disposição de armamento dos fazendeiros apoiados pela Sociedade Rural do Paraná.
Sem revelar detalhes, Maria de Oliveira, avaliou positivamente as três reuniões que manteve com diferentes representantes de grupos de fazendeiros. A principal preocupação do órgão, segundo ela, é convencer os donos de terras que as propriedades devem ser defendidas sem conflito, o que poderia levar a novas mortes. Segundo ela, os fazendeiros não disseram nem sim nem não ao apelo do Incra sobre o desarmamento. Ninguém garante nada, resumiu a superintendente. Os fazendeiros querem garantir seus bens e, do outro lado, os sem-terra querem garantir suas vidas.
As reuniões com o MST, segundo ela, também foram proveitosas. Maria de Oliveira afirma que continua de pé o acordo entre os governos estadual e federal e o movimento de que não haverá novas ocupações nem despejos no Paraná até 15 de março. Em troca, o Incra se compromete em concluir a vistoria das áreas e acelerar o processo de desapropriação das propriedades consideradas improdutivas.
A superintendente também conversou com os sem-terra sobre as pendências judiciais de 15 fazendas no Norte do Estado. Segundo Maria de Oliveira, na próxima semana, devem ser assentadas mil famílias em nove mil hectares entre os municípios de Tamarana e Ortigueira. Ao todo, o instituto tem três mil famílias cadastradas só na região de Londrina. A superintendente do Incra também informou aos sem-terra que nos próximos dias o governo federal deve liberar os R$ 67 milhões já aprovados no orçamento deste ano para a reforma agrária no Estado.
Protesto Cerca de 1.500 sem-terra participaram ontem, em Querência do Norte, a 600 quilômetros de Curitiba, de um ato de protesto contra a demora do governo federal em liberar os recursos do Programa de Crédito Especial para Reforma Agrária (Procera) e na regularização das 11 áreas ocupadas pelo MST na região. Segundo o líder do MST de Querência do Norte, Pedro Cabral, os sem-terra vão ficar acampados na praça central da cidade até que o Incra consiga liberar os R$ 20 milhões do Procera.


