Incra suspende reunião com sem-terra em Marabá por falta de segurança
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quinta-feira, 06 de maio de 1999
Por Carlos Mendes 
Belém, 07 (AE) - O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) suspendeu, hoje, o encontro que mantinha com representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetagri), em Marabá para discutir a ampliação do orçamento da reforma agrária e investimentos em infra-estrutura de 220 assentamentos e área ocupadas por famílias sem terra do sul do Pará. As conversações devem ser reiniciadas em Brasília.
Um clima de tenso, com lavradores embriagados e armados ameaçando invadir o auditório do Colégio Mendonça Virgulino, onde se realizava a reunião de representantes dos governos federal e estadual com líderes do MST, Fetagri e outras 40 entidades, provocou a suspensão do encontro. A comissão de negociadores do Incra foi obrigada a pedir a proteção da polícia para entrar e sair do colégio. Antes de suspender a reunião, no entanto, os dois lados já não se entendiam.
O instituto propôs um aumento de R$ 10 milhões em seu orçamento de 99 para a região, ampliando para R$ 79 milhões o volume de recursos da área fundiária, mas o MST e a Fetagri recusaram a oferta, alegando que era muito pouco diante das necessidades das 50 mil famílias assentadas e outras 32 mil que invadiram e ocupam fazendas em 18 municípios. O MST reduziu de R$ 400 milhões para R$ 250 milhões sua reivindicação de recursos, mas o Incra considerou a proposta fora de cogitação. Segundo a ouvidora do instituto, Maria Oliveira, aceitar a proposta dos sem-terra seria comprometer um terço do orçamento do órgão para todo o País. Escolta - Para ter acesso à sala de reunião, os membros da comissão tiveram que ser escoltados para mais de 40 homens das polícias Federal e Militar. No fim da tarde, correu a informação de que os lavradores iriam ocupar o colégio onde estava a comissão e mantê-la como refém novamente, como fizeram na última terça-feira. A informação foi passada à comissão pela Polícia Federal. Em clima tenso, ficou definido que amanhã (08) haverá nova reunião, mas entre integrantes das entidades comandadas pelo MST e Fetagri para discutir assistência técnica, vistoria em 200 fazendas e investimento na alfabetização de adultos. A comissão de negociadores do Incra não havia decidido participar da reunião.
A Polícia Militar do Pará avaliou em 3 mil o número de lavradores, incluindo mulheres e crianças, que estão acampados na Praça do Mogno, dentro das dependências do Incra, em Marabá. A contagem, feita pela PM e repassada para o Ministério de Política Fundiária, em Brasília, é bem distante dos números apresentados pelo MST, que afirma existirem 10 mil acampados no local. Segundo a assessoria de imprensa do ministério, os números apresentados pela Polícia Militar paraense estão mais próximos da realidade que os fornecidos pelo MST.
"Se existem 3 mil pessoas, esse número deve ser de gente da PM, Exército e Polícia Federal, que estão pelas ruas de Marabá desde o dia 19 de abril para querer reprimir uma legítima manifestação de trabalhadores por seus direitos", rebate uma das coordenadoras do MST no sul do Pará, Isabel Rodrigues.


