O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) vão agir juntos para tentar deter devastações de reservas florestais em assentamentos e propriedades ocupadas pelos sem-terra em áreas extrativistas. Ontem os presidentes do Ibama e do Incra, Eduardo Martins e Milton Seligman, assinaram um termo de cooperação técnica para troca de informações e assessoria.
O acordo foi feito dois dias após o Fundo Mundial para a Natureza (WWF) apontar o Brasil como campeão de queimadas no mundo e a apenas três dias da chegada do presidente norte americano, Bill Clinton, ao País. No âmbito interno, o superintendente do Ibama no Paraná, Jonel Nazareno Iurk, disse na quarta-feira que iria notificar e autuar o Incra por causa do roçado feito pelos sem-terra que ocupam a Fazenda Pinhal Ralo, em Rio Bonito do Iguaçu, no sudoeste do Estado.
‘‘É uma pequena falta de sincronia nas pontas, mas vamos fechar isso’’, disse Seligman, durante a assinatura do acordo. Incra e Ibama investirão verba própria em programas de conscientização e de treinamento sobre o manejo e o desenvolvimento sustentado em projetos de assentamento agro-extrativistas ou reserva extrativista. Os representantes do governo querem a ajuda dos sindicatos rurais e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
‘‘A floresta tem de ser vista hoje como uma área produtiva e a exploração sustentada, dentro de critérios corretos, até ajuda a preservar as reservas’’, disse o presidente Ibama, Eduardo Martins. O treinamento, segundo ele, poderá elevar a renda de populações tradicionais em áreas extrativistas, que hoje recebem ‘‘apenas R$ 5,00 por um tronco de madeira bruta’’. Algumas áreas de várzea na Amazônia, afirmou, têm grandes possibilidades de produção madeireira e deverão ser transformadas em assentamentos, como a região das ilhas na foz do Amazonas.
O Ibama deslocou o biólogo Américo Ribeiro Tunes e o engenheiro florestal Gabriel El Khouba da Superintendência de Santa Catarina para participar de reunião com o Incra no município de Abelardo Luz (SC), onde cerca de 500 famílias ligadas ao MST invadiu 3.400 hectares de uma propriedade da empresa Disenha, que já pleiteava com o Ibama a renovação de um plano de manejo florestal sustentado.
A proposta será mantida e o Incra, Ibama e MST trabalharão juntos, de forma inovadora, para viabilizar um projeto de desapropriação da área que priorize a floresta como fonte de renda para os assentados, em vez da tradicional produção agrícola. As atividades que poderão ser desenvolvidas são piscicultura, produção de ervas medicinais, criadouros de fauna silvestre e manejo florestal comunitário.

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