Incra quer que Ministério de Política Fundiária apure denúncias de dissidentes do MST
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 23 de março de 1999
Por José Maria Tomazela 
Sorocaba, SP, 24 (AE) - O superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em São Paulo, Luiz Moraes Neto, vai pedir ao Ministério da Política Fundiária a apuração das denúncias de discriminação e desvio de recursos do Programa de Crédito Especial da Reforma Agrária (Procera) feitas por um grupo de dissidentes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), assentados na Fazenda Pirituba, em Itapeva, no sudoeste do Estado. O grupo de nove assentados, acompanhado de vereadores de Itapeva e Itaberá, reuniu-se hoje à tarde com o superintendente e técnicos do Incra
na capital. Um representante do Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp) participou do encontro.
Os assentados, entre eles Iolando Veiga e José Carlos Duarte, que criaram o Movimento dos Assentados Individuais (MAI)
repetiram as denúncias que já haviam feito nas câmaras municipais das duas cidades, entre elas a de que o MST cobrava percentuais sobre os financiamentos liberados pelo Procera. Recibos passados pelas cooperativas do MST comprovam os pagamentos. O superintendente decidiu encaminhar um relatório ao Ministério da Política Fundiária para que as denúncias sejam investigadas. "Os fatos narrados são graves, por isso decidimos levar ao conhecimento do ministério", disse Moraes Neto.
Os assentados reivindicaram também mudanças no critério de distribuição dos recursos do Procera, que privilegiariam as cooperativas controladas pelo MST. Enquanto os cooperados obtém até três tetos de R$ 7.500,00 para investimentos em seus lotes, os individuais têm direito a apenas um teto. Eles questionaram a inclusão do líder do MST, Delweck Matheus, na comissão estadual do Procera. Por ser presidente de uma cooperativa nos assentamentos de Pirituba, ele é beneficiário dos recursos e estaria impedido de integrar a comissão.


