Incra quer conter acampamentos
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segunda-feira, 27 de abril de 1998
Das agências 
O presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Milton Seligman, informou ontem em Porto Alegre (RS) que o governo vai modificar os critérios de cadastramento de sem-terra. Com as mudanças, o governo quer desestimular os acampamentos, afirmou Seligman. Ele não detalhou as propostas do governo, que devem ser divulgadas esta semana pelo ministro Raul Jungmann (Política Fundiária). É um plano de justiça e equanimidade nos critérios de acesso ao programa de reforma agrária, disse.
O governo vai apresentar um plano genérico para modificar o cadastramento, que vai atingir acampados e não-acampados. As propostas formarão o Cadastro Nacional dos Beneficiários da Reforma Agrária e serão detalhadas com o auxílio de organizações sociais. As novas regras vão substituir as normas previstas no Estatuto da Terra, de 1964.
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)) criticou a iniciativa do governo. Essa é uma estratégia clara que o governo tem interesse em acabar com a organização do MST, afirmou a coordenadora do movimento no Rio Grande do Sul, Ivanete Tonin.
O presidente do Incra realizou ontem uma reunião com o MST em Porto Alegre, onde 3.800 famílias estão acampadas desde o dia 17. Seligman recebeu uma pauta de reivindicações e disse que o Incra vai cadastrar os sem-terra acampados. Seligman afirmou que um piloto do novo modelo de cadastramento será implantado no Rio Grande do Sul em 30 dias.
O MST não aceita discutir a proposta do governo de começar a emancipar os assentamentos de reforma agrária. A sugestão, feita pelo Incra e em análise no Ministério da Fazenda, prevê a entrega dos títulos definitivos de posse aos assentados após a cobrança das terras e dos créditos de implantação nos projetos. Gilberto Portes, um dos coordenadores nacionais do MST, disse que o movimento não vai discutir enquanto não houver uma política agrícola definitiva para o País.


